Londrina - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu recentemente a comercialização de fumos com aditivos no Brasil. O gosto adocicado seria um estímulo aos jovens. A restrição para cigarros e cigarrilhas começa em setembro de 2013. Para o tabaco usado no narguilé e cachimbos, março de 2014. Ontem, foi comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.
O artefato de origem indiana e disseminado no mundo árabe, que tornou-se uma febre de consumo entre jovens brasileiros, é o novo alvo da Anvisa. No narguilé, a fumaça contém quantidades superiores de nicotina, monóxido de carbono, metais pesados e substâncias cancerígenas do que na fumaça do cigarro. Enquanto o volume de tragadas do cigarro alcança de 30 a 50 ml dessas substâncias entre cinco a sete minutos de consumo, o volume de tragadas do narguilé pode chegar a mil ml em uma sessão de uma hora, equivalente ao consumo de 100 cigarros ou mais.
A coordenadora da Divisão de Epidemiologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Liz Almeida, disse que o narguilé é usual entre os jovens por ser consumido em ambiente de socialização. ''Pesquisas recentes demonstram que a prevalência do consumo deste tabaco já é maior que os fumantes de cigarro entre jovens de 13 a 15 anos e universitários de 18 a 24 anos'', revelou.
A Pesquisa Especial sobre Tabagismo, realizada pelo IBGE e o Inca em 2008, aponta que mais de 300 mil pessoas faziam uso regular do narguilé no Brasil (esta é a pesquisa mais recente sobre o tema). ''É tão prejudicial ou mais quanto o cigarro. Aquilo passe de boca em boca e se alguém tiver infecção pulmonar será transmitida'', alertou o pneumologista londrinense Denison Noronha Freire.
O médico vem constatando por meio de atendimentos que o fumo está cada vez mais viciante. ''A Anvisa deveria fazer controle rigoroso sobre os componentes do fumo. O que estou mais preocupado é que estão sendo colocadas substânciais que deixam as pessoas mais dependentes (no fumo)'', afirmou ele, sem especificar quais são esses produtos.
Despreocupadas, amigas fizeram ontem uso do narguilé na Vila Nova (Área Central). Ao lado dos cachimbos, seis essencias de sabor. ''Acho que não é tão ruim (para a saúde). A sensação é que não está causando problema nenhum'', contou uma das estudantes, de 17 anos.
''Uma amiga minha teve convulsão uma vez. Ela ficou o dia inteiro sem comer e quis fumar com a gente, daí passou mal. Foi rápido, mas nada para que falássemos: 'temos que parar''', disse outra amiga, também de 17.
Na roda havia uma garota de 13. ''Meu primeiro trago foi aos 10 anos ao lado da minha mãe. Comecei a engasgar, tossir. Ela me avisou que não era para tragar e desde então não parei'', disse a adolescente.
A mãe de uma das meninas assistia à cena. ''É uma coisa que eu não gosto, mas não adianta proibir porque aguça ainda mais a vontade dela. Procuro conversar e esclarecer os fatos. Acho que essa vontade (de fumar) vai passar aos poucos, é uma fase'', argumentou a mulher.(Com Agência Brasil).

mockup