Fumantes aprovam lei contra tabaco
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terça-feira, 09 de março de 2010
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio - Os fumantes brasileiros estão preocupados com a saúde e 82% deles já sofreram com problemas relacionados ao tabaco. E mais: 65% são a favor das leis de proibição total ao fumo em ambientes fechados. Entre os não-fumantes, essa aprovação sobe para 80% dos entrevistados. Os dados fazem parte da pesquisa do International Tobacco Control (ITC), que avalia em 20 países o impacto das políticas públicas implementadas pelos governos.
O estudo foi divulgado ontem pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), na véspera da votação, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, do projeto de lei que proíbe o fumo em ambientes fechados em todo o território nacional.
''Alguns Estados e municípios se adiantaram e têm leis que proíbem o fumo em lugar fechado, mas a indústria do tabaco ajuizou ações questionando que a legislação estadual não pode se sobrepor a uma lei federal, que permite o fumódromo'', afirmou Tânia Cavalcante, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo do Inca.
Ela citou estimativa do instituto, de 2008, segundo a qual seis mil pessoas morreram, naquele ano, por tabagismo passivo. ''Os fumódromos têm de ser banidos. Precisamos de uma lei federal que acabe com a disputa na esfera judicial e resolva a questão. Sem os fumódromos, cai o consumo e a indústria não quer que isso aconteça. É uma questão exclusivamente econômica. E a economia não pode estar acima da saúde pública'', defendeu.
Em janeiro de 2006, o Brasil ratificou adesão à Convenção-Quadro, tratado internacional de saúde pública com a chancela da Organização Mundial de Saúde. Entre as medidas com as quais o País se comprometeu está a proibição do fumo em ambiente fechado. O prazo para a medida ser adotada vence em 2011.
Pesquisas do IBGE já haviam apontado que o número de fumantes no Brasil havia caído de 33% da população com mais de 15 anos, em 1989, para 17%, em 2008. O levantamento do ITC detalha o comportamento dessas pessoas - 92% fumam diariamente e a média é de 15,4 cigarros por dia; 52% se classificam como muito dependentes.
Entre os 20 países que participam do trabalho - entre eles, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido, Alemanha, Uruguai, México - foi no Brasil que os pesquisadores encontraram o maior índice de arrependimento. Entre os fumantes entrevistados, 91% preferiam não ter experimentado o cigarro. E 51% têm planos de deixar de fumar nos próximos seis meses. A pesquisa ouviu 1.826 pessoas - 1.215 fumantes e 611 não fumantes - em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, entre abril e junho de 2009.


