'Fumacê costal' no combate à dengue
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sábado, 02 de maio de 2015
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Considerado um aliado importante no combate à dengue, quatro equipes de agentes de saúde realizaram na manhã de ontem a aplicação de inseticida por meio de equipamentos UBV costais, popularmente conhecido como "fumacê costal", em diversos bairros de Londrina, englobando as quatro regiões da cidade. Diferente do fumacê tradicional, aplicado de caminhonetes, o fumacê costal tem uma aplicação mais direta e de maior concentração, sendo que na maioria das vezes o agente adentra a residência, passando o produto também no quintal. "Estudos indicam que esse tipo de aplicação tem uma eficiência até 40% maior no combate ao mosquito adulto e ele age por até 15 minutos", explica o supervisor Rodrigo Ultramar. A recomendação é que, após a aplicação, sejam trocadas a alimentação e a água de animais domésticos; as gaiolas de passarinhos devem ser retiradas do local durante o procedimento.
Ao priorizar áreas onde tenha havido recentemente suspeita ou casos confirmados da dengue, a aplicação é feita num perímetro de 150 m² próximo à residência onde o problema foi identificado. Foi o caso do bairro Vila Romana, na Rua Deolindo Pesciotti, na região leste, onde o caminhoneiro Antonio Assunção, de 55 anos, teve confirmação de dengue, na quinta-feira que antecedeu a Páscoa. "Suspeitamos que ele tenha pego dengue enquanto trabalhava no Mato Grosso do Sul, pois no dia em que chegou de viagem já estava passando mal", conta a filha da vítima, a estudante de enfermagem Camila Assunção.
A dona de casa Antônia Alves de Oliveira, de 50, pode ter sido a primeira vítima de dengue hemorrágica que veio a óbito em Londrina neste ano, na última quinta-feira. Segundo informações de Rosemar Maria da Silva Venturini, cunhada da vítima, ela começou a manifestar os primeiros sintomas no dia 21 de abril.
Após tratamento inicial no Pronto Atendimento Municipal (PAM), onde recebeu por quase uma semana soro, ela chegou a ficar internada dois dias no Hospital da Zona Sul, antes de ser transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Santa Casa. Após novo exame para dosagem de plaquetas, ela passou por transfusão de sangue e hemodiálise. "Como ela já estava debilitada e com a glicemia alta, não resistiu, e no atestado de óbito diz que ela morreu de choque anafilático. Mas o nefrologista disse para nós que foi em decorrência de dengue hemorrágica", informa.
Rosemar também alerta para o reforço com relação aos cuidados no combate a focos
de dengue: "No caso da minha cunhada, não foi identificado nenhum foco na parte externa da sua casa. O problema foi a bandeja de degelo da geladeira, que estava repleta de larvas", alerta, sendo que a orientação básica é de que seja colocado com frequência hipoclorito de sódio (água sanitária) nesses recipientes.
Segundo a gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Sandra Caldeira, até ontem ela não havia sido notificada sobre o caso. Em caso positivo, esse caso seria o primeiro em Londrina em 2015. "Somente na segunda-feira poderei ter mais informações sobre isso e, em caso de dengue hemorrágica, é necessário uma série de análises de procedimentos e exames para confirmar a suspeita", afirma a gerente. De janeiro até agora, já foram registrados 3.349 notificações relativas à dengue: 745 casos da doença foram confirmados e outros 1.380 aguardam o resultado.


