Fumaça provoca morte de criança de 3 meses
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de março de 1998
Das agências 
O fogo em Roraima fez anteontem sua primeira vítima indireta: uma criança de três meses, morta em consequência de problemas respiratórios agravados pela fumaça na capital, Boa Vista.
Segundo o pediatra do Hospital Materno-Infantil de Boa Vista, Renato Oliveira de Lima, a menina Tamaris Thomé deu entrada no Pronto Socorro na última sexta-feira, mas não resistiu e morreu na madrugada de sábado.
Ela teve um quadro de coqueluche (doença infecciosa aguda) agravado pela fumaça e pela secura do clima, disse Lima. O médico informou que foi o primeiro caso de morte de criança no hospital - o único especializado no atendimento infantil no Estado - em consequência das condições climáticas, desde o início do ano. Lima diz que os casos respiratórios são responsáveis pelo aumento de 50% das internações.
Tamires Thomé, de três meses, estava com coqueluche e seu estado piorou por causa de problemas respiratórios. A doença se agravou por causa da fumaça e o clima seco, idisse Renato Oliveira de Lima.
Todos os 30 leitos do hospital estão ocupados e os médicos já estão utilizando macas e bancos para abrigar doentes. O número de atendimento de crianças aumentou quase 100%.
Atendíamos entre 100 e 120 crianças por dia, mas depois deste incêndio, subiu para 200 casos diariamente, diz Renato de Lima. A tendência e piorar ainda mais.
Ontem pela manhã os índios ianomamis da aldeia Demini conseguiram evitar um incêndio na sua área. Eles haviam colocado fogo em uma roça, que se alastrou rapidamente pela floresta, mas o incêndio foi controlado meia hora depois pelos próprios ianomamis.
Segundo o chefe da tribo, Davi Yanomami, em sua região não há normalmente problemas com incêndios. No entanto, os índios estão atualmente preocupados que o fogo se alastre por outras aldeias próximas à localidade de Apiaú, onde existe grande concentração de focos de incêndio.


