Fujimori em meio a crescentes denúncias de fraude3/Mar, 12:47 Por Alberto Ku King M., da Ansa Lima, 02 (AE-ANSA) - O presidente do Peru, Alberto Fujimori, cuja postulação para um terceiro mandato consecutivo é duramente criticada pela oposição, está virtualmente atolado em meio a denúncias de fraudes e contundentes pedidos para que retire sua candidatura às eleições de 9 de abril. Várias denúncias de uma "indústria" de falsificação de assinaturas formada por membros do governo, apresentadas ao Jurado Nacional de Elecciones - correspondente à justiça eleitoral -, envolvem figuras conhecidas próximas a Fujimori e à Aliança Peru 2000. Fujimori parece atuar com cautela em seus atos e declarações políticas, embora tudo leve a crer que o mandatário esteja começando a sentir os efeitos na opinião pública das denúncias feitas pela oposição. As denúncias mais graves, que afetam diretamente pessoas ligadas ao presidente, não parecem marchar pelo caminho do esclarecimento. Segundo o influente jornal El Comercio, uma legião de falsificadores de títulos de eleitores trabalham à mando do deputado governista Oscar Medilius, que apesar de citado pela Promotoria está desaparecido há quatro dias. Ao mesmo tempo, as autoridades tampouco esclarecem o fato de que 4.000 policiais, que de acordo com a constituição não podem participar do processo eleitoral, portem títulos de eleitor. Segundo a oposição, as eleições presidenciais no Peru estão se caracterizando por um punhado de denúncias sobre uma "fraude em marcha" para permitir a reeleição de Fujimori e sua perpetuação no poder. O governo de Fujimori é acusado de dominar os principais poderes do Estado e os organismos administrativos da Justiça, onde quase sempre as denúncias contra personalidades do regime são "arquivadas" por falta de provas. Organismos internacionais que estão observando o processo eleitoral peruano advertem que as condições para um processo eleitoral transparente não estão dadas no Peru, onde organismos governamentais parecem estar, na opinião dos analistas, a serviço da reeleição de Fujimori. Aos observadores internacionais somaram-se o Departamento de Estado dos EUA, os países da União Européia e várias entidades defensoras dos direitos humanos, que coincidem na necessidade de que o regime demonstre sua vontade em levar adiante um processo eleitoral legítimo. Apesar das denúncias, os principais candidatos presidenciais da oposição parecem decididos a continuar na batalha eleitoral, embora estejam conscientes de que no final possam perder em meio a uma "guerra suja" deflagrada contra eles há vários meses. Candidatos como Alberto Andrade, de Somos Perú, segundo nas pesquisas com 16% dos votos (Fujimori está em primeiro com 33%) e Luis Castañeda Lossio, da Solidariedad Nacional, Alejandro Toledo, de Perú Posible, embora apresentem denúncias de fraudes, parecem confiar em seu poder para derrotar Fujimori em um possível segundo turno. Mas os analistas advertem que Fujimori e sua equipe se encarregaram, há vários meses, de montar uma "indústria eleitoral" capaz de assegurar o triunfo já no primeiro turno e manter o regime do poder por tempo indefinido.