Fujimori diz que Tupac Amaru está no Rio para matá-lo
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de junho de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 28 (AE) - O presidente do Peru, Alberto Fujimori, disse hoje que o grupo terrorista peruano Sendero Luminoso atua no Brasil associado a traficantes de drogas e que integrantes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) estão no Rio, provavelmente para matá-lo. Segundo ele, o Sendero age perto de Tabatinga (Amazonas), Letícia (Colômbia) e Caballococha (Peru), mas negou que o movimento tenha ligações com sem-terra brasileiros. De acordo com senadores, acampamentos da Liga Operária e Camponesa no Norte brasileiro seriam ligados ao Sendero.
"São grupos isolados (do Sendero), que, repito, estão apoiando o narcotráfico", afirmou. Fujimori atribuiu as informações sobre a atuação do Sendero no Brasil ao serviço de inteligência peruano, que, disse, já as passou aos órgãos de informações do Brasil. O presidente peruano declarou ainda que o governo do Peru está "cortando a cabeça" da organização terrorista, citou um encontro internacional de grupos "terroristas, subversivos e guerrilheiros" que combinaram agir em conjunto na América Latina e revelou que há peruanos ligados ao MRTA permanentemente no Rio.
Fujimori afirmou não poder revelar qual foi o serviço de informações que avisou o seu governo da possibilidade de um atentado do Tupac Amaru contra a sua vida no Brasil, mas confirmou a informação. "Se estão aqui, não teriam vindo ao Rio de Janeiro para tirar férias em Ipanema e em Copacabana", ironizou. "Provavelmente pretendem saudar-me de uma maneira muito especial."
O presidente afirmou que tomou precauções, e, na entrevista em um hotel na zona sul do Rio - ele veio para participar da Cimeira - repudiou críticas internacionais à sua política de direitos humanos.
Ataques - O presidente peruano afirmou que seu país não vai aceitar a decisão da Corte Internacional de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que solicitou que quatro supostos integrantes do MRTA, condenados à prisão perpétua, tenham novo julgamento.
"Acreditamos que aceitar uma sentença dessa natureza não seria um triunfo dos direitos humanos, mas do terrorismo", atacou. "A posição do governo peruano é firme, consideramos (o assunto) coisa julgada e, como governo, respaldamos plenamente a decisão do Conselho Supremo de Justiça Militar." O presidente peruano também repudiou críticas a seu governo feitas por partidos social-democratas que se reuniram em encontro da Internacional Socialista em Buenos Aires, quando exigiram que as organizações políticas do Peru possam participar das eleições com candidatos.
Fujimori lembrou que o ex-presidente Alan Garcia, seu adversário, tem ligações com a IS e já foi anfitrião de uma reunião da entidade, quando era presidente do Peru. Na ocasião, lembrou Fujimori, houve uma revolta de presos que resultou em 200 mortos. "Pergunto: com esses antecedentes, como pode a Internacional Socialista reclamar tanto e condenar o governo do senhor Fujimori?", indagou o presidente.
Depois de informar que, nos últimos três anos, o Peru reduziu em 56% as suas plantações de coca, planta-base para a produção de cocaína, Fujimori defendeu a necessidade de renovar por períodos mais longos o Sistema Geral de Preferências, que garante aos países andinos exportar para a União Européia produtos agrícolas sem impostos. O objetivo é dar alternativas econômicas aos plantadores da erva. "Os países andinos estão fazendo essa luta de uma maneira brastante efetiva", disse.


