Fujimori comanda captura de líder senderista
Lima, 13 (AE-AP) - Em meio a persistentes rumores de que as Forças Armadas peruanas tinham cercado e capturado o líder máximo do grupo maoísta Sendero Luminoso, Oscar Alberto Ramírez Durand, ou Camarada Feliciano, o presidente do Peru, Alberto Fujimori, deixou hoje (13) a sede do governo de modo surpreendente e dirigiu-se às pressas ao Departamento (província) de Junín, no centro do país. Até o fim da noite de hoje, o governo peruano não confirmou nem desmentiu a captura de Feliciano, mas fontes militares admitiram extra-oficialmente que as forças combinadas do Exército, Marinha, Aeronáutica e Polícia Nacional mantinham cercada no meio da selva duas brigadas da guerrilha. Um desses grupos estaria sob o comando de Feliciano.
De acordo com fontes do governo, Fujimori sobrevoou, num avião da Força Aérea, a região de Pariahuanca, onde as tropas do Sendero Luminoso foram encurraladas. Depois de observar a movimentação militar, foi levado de volta à capital do departamento, Huancayo, a 320 quilômetros de Lima, onde manteve uma reunião com os principais comandantes locais.
Na véspera, Fujimori tinha informado que as forças de segurança do governo desenvolviam na região de Junín uma operação denominada "Cerco", cujo objetivo era o de capturar Feliciano e desarticular definitivamente o Sendero Luminoso, o mais sanguinário grupo rebelde da América Latina, que matou mais de 30 mil pessoas nos 19 anos em que tenta impor um regime comunista maoísta no Peru. Dando a entender que a prisão de Feliciano era iminente, Fujimori informou na segunda-feira que a operação militar já tinha capturado nove integrantes do comando militar da guerrilha.
Numa referência às críticas que tem recebido pela decisão de retirar o país de uma corte da Organização de Estados Americanos (OEA) sobre direitos humanos, Fujimori disse ainda que ordenou aos seus comandantes militares que trouxessem os líderes senderistas "vivinhos e com o menor número de arranhões possível" para evitar violações que possam ser condenadas no exterior.
Ele assinalou ainda que a operação militar já tinha causado duas baixas: um guia morreu durante a incursão na selva e um cabo ficou mutilado ao pisar numa mina artesanal conhecida como "queijo russo".
Feliciano assumiu o comando militar do Sendero Luminoso em 1993, depois de rejeitar um acordo de paz proposto da prisão por seu antecessor na liderança do grupo rebelde e no posto de homem mais procurado do país, Abimael Guzmán. Após a prisão de Guzmán, que era considerado o ideólogo da guerrilha, os senderistas ficaram divididos entre os leais a ele e os seguidores de Feliciano.
Filho de um general da reserva do Exército peruano, Feliciano
de 46 anos, dirige há mais de uma década, a facção mais violenta da guerrilha, conhecida como Sendero Vermelho.





