Fujimori aumenta salários a 30 dias das eleições de abril9/Mar, 16:35 Lima, 9 (AP) - A quase um mês das eleições presidenciais o presidente e candidato Alberto Fujimori aumentou hoje o salário mínimo para os trabalhadores do setor privado, detonando de imediato as críticas de seus opositores, que consideram a medida "eleitoreira". O salário mínimo para o setor privado, que permaneceu congelado por 40 meses em 345 sóis, cerca de 100 dólares, foi ajustado em quase 18% para 410 sóis, 118 dólares, segundo Fujimori, candidato a um terceiro mandato nas eleições de 9 de abril. "Esta é uma claríssima medida eleitoreira como as que estamos acostumados", disse hoje Javier Silva Ruete, candidato ao congresso pelo movimento opositor "Somos Peru". O aumento foi oficializado hoje em decreto publicado no jornal oficial El Peruano. Segundo o jornal, o aumento é"pertinente", pois o último reajuste ocorreu em setembro de 1997. O congressista opositor Alfonso Grados Bertorini acha que o anúncio de Fujimori tem como único propósito um beneficiar-se eleitoralmente. Para ele, Fujimori se aproveita do fato de ser presidente e coloca isso como elemento de propaganda. Mas o congressista oficialista Luis Chang Ching rechaçou que o aumento do salário mínimo seja uma medida eleitoreira, já que, ao contrário dos anos anteriores, agora há condições para tal aumento. O aumento ocorre depois de uma oferta anterior do governo de vender lotes a preços baixos para famílias pobres do país, medida que também foi amplamente questionada por candidatos opositores. A oposição acusa o governo de utilizar os recursos do estado - em publicidade estatal, distribuição de alimentos, pinturas de paredes com o símbolo do governo - para favorecer a campanha eleitoral de Fujimori. O atual presidente continua liderando amplamente as pesquisas para as eleições gerais de abril. Fujimori acumula 42% das intenções de voto, um ponto a menos que a pesquisa anterior, seguido pelos 16% de Alejandro Toledo, que ultrapassou o prefeito de Lima, Alberto Andrade, segundo dados do Instituto de Pesquisas Apoyo. A ligeira queda de Fujimori coincide com as denúncias sobre uso de recursos do Estado a favor de sua campanha e sobre a suposta falsificação de um milhão de assinaturas para avalizar sua candidatura.

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