O comerciante brasileiro Saleh Hage de 36 anos, ganhou asilo político nos Estados Unidos ao desembarcar no aeroporto de Newark dia 4, dizendo-se vítima da violência de São Paulo. Só este ano ele testemunhou seis assaltos a comerciantes vizinhos de seu lava-carros em Arthur Alvim, na Zona Leste e acabou ameaçado de morte pelos assaltantes.
Segundo Chris Shanatta, supervisor do Serviço Nacional
de Imigração (INS), ‘‘o caso dele é único, parecia sincero ao revelar seu medo de continuar no Brasil’’. Ao desembarcar, Hage e o filho Rafa, de 7 anos, foram detidos. Mas o brasileiro, que viajava com visto de turista, surprendeu os agentes ao declarar que estava ‘‘em busca de trabalho e escola para o filho’’. Segundo Shanatta, ‘‘tal confissão daria justa causa para deportação imediata’’ (com base na nova Lei de Imigração, o INS pode deportar do aeroporto todo estrangeiro em situação irregular, como é o caso de turista buscando emprego).
‘‘Entretanto, nos quatro dias seguintes ele nos contou
histórias que nos fizeram recuar da decisão de repatriá-lo’’, disse o supervisor do INS. O brasileiro foi entregue à custódia de Francisco Sampa, presidente da BAUA, uma associação de imigrantes brasileiros de Newark, no Estado de New Jersey. A entidade ofereceu abrigo e conseguiu emprego para Hage. Ele já trabalha como lavador de pratos num restaurante na periferia de Nova York. ‘‘Eu não tinha outra alternativa’’, afirmou.
Hage era dono de um lava-carros. ‘‘Meu vizinho era o ‘Bar do César’. Em janeiro, uns bandidos entraram atirando. Meses depois, assaltaram o lugar outra vez. Um posto de gasolina na nossa esquina sofreu três ataques num mês. Como eu fui testemunha na polícia, passei a receber a visita de um sujeito da quadrilha, que me ameaçou de morte.’’
Hage, que é filho de imigrantes libaneses, já tinha uma
experiência dramática na família. ‘‘Meu irmão Abdala foi morto num assalto em 1996, em Santo Amaro. Uns bandidos o mataram para roubar-lhe uma caminhonete.’’

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