Dimitri do Valle
e James Alberti
De Curitiba
A maior fuga em massa do sistema prisional do Paraná foi registrada na madrugada de ontem em Curitiba. No 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), 103 presos conseguiram escapar das 11 celas que formam a carceragem, que tinha capacidade para 40 detentos mas abrigava 127. Vinte e quatro presos não fugiram porque não quiseram. A assessoria do comando da Polícia Civil informou que 99 detentos fugiram, ao contrário do comando da PM que confirmou a fuga dos 103 detentos.
Para fugir, os presos serraram os ferrolhos de todas as celas, arrombaram uma porta de aço instalada nos fundos da cadeia e usaram a esquadria de uma janela como escada para pular o muro externo, de apenas 2,30 metros de altura. Três presos foram recapturados até o meio-dia. O delegado-titular do 11º DP, Moisés Antônio de Souza Neto, foi exonerado ainda na manhã de ontem pelo delegado chefe da Divisão da Capital, Paulo Hernesto Cunha.
No momento da fuga, registrada entre 4h30 e 5 horas de ontem, apenas dois investigadores faziam o plantão na delegacia. Eles alegaram não ter ouvido qualquer movimentação estranha no interior da carceragem. A delegacia é equipada com circuito interno de tevê para controlar a movimentação dos presos. Os investigadores só foram perceber a fuga cerca de 20 minutos depois.
Por intermédio de sua assessoria, o delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes de Noronha, disse que iria cobrar explicações do comandante da Polícia Militar, Guaracy Moraes Barros. Depois do registro de duas fugas em um mês, Noronha e a PM teriam acertado que soldados iriam ajudar a Polícia Civil na guarda dos presos do 11º distrito, o que não ocorreu. ‘‘O delegado quer saber do comando da Polícia Militar o que houve’’, informou a assessoria.
Segundo o chefe do Estado Maior da PM, coronel Sanderson Diotalevi, o acordo previa que os policiais militares permaneceriam em frente às delegacias com suas viaturas. ‘‘A PM tem uma missão constitucional de fazer o patrulhamento nas ruas e logradouros públicos. Quando há um volume excessivo de ocorrências não podemos deixar esse pessoal ali’’, afirmou o coronel. O entendimento entre as duas corporações, prosseguiu Diotalevi, era de que a PM daria todo o apoio necessário durante revistas nas cadeias da capital.
O coronel sugeriu que o comando da Polícia Civil nomeasse mais funcionários para ajudar na guarda dos distritos que possuem celas. ‘‘Ela (PC) tem pessoal em outros lugares e pode colocá-los em disponibilidade’’, observou. No início da tarde, o comando da PM acertou com a Polícia Civil que irá destinar policiais para patrulhar a área externa das seis delegacias de Curitiba que dispõem de carceragem. ‘‘Vamos buscar pessoal de vários locais para reforçar a guarda. É um esforço a mais que a PM estará realizando. A missão constitucional é deles, mas vamos apoiá-los’’, comunicou o coronel Sanderson.

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