São Paulo, 25 (AE) - Cerca de 400 menores do complexo da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, rebelaram-se por pelo menos 16 horas, entre a noite de sábado e a tarde de hoje. Fugiram cerca de 200 internos. Não foi informado o número de feridos. Durante o motim
foram destruídos oito veículos, alguns de funcionários. Não houve reféns, mas sete unidades ficaram parcialmente destruídas.
A rebelião só foi definitivamente controlada após a entrada
pela segunda vez, do Batalhão de Choque da Polícia Militar no complexo, que abriga 1,6 mil menores. "Era a única forma de controlarmos a situação", disse o presidente da Febem, Eduardo Roberto Domingos da Silva. "Se funcionários tentassem alcamá-los, poderia haver excessos."
Segundo a PM e funcionários da Febem, a rebelião começou por volta das 22 horas de sábado na Unidade 15, que abriga reincidentes e autores de delitos mais graves. Logo, os internos de outras unidades também se rebelaram e a situação ficou tensa a madrugada inteira. O Choque foi ao complexo na madrugada.
Pela manhã, quando a situação parecia normalizada, o clima voltou a ficar tenso. Por volta das 9 horas, vários menores pularam a grade e fugiram pela Avenida Celso Garcia.
Segundo o major da PM Ademir Vituri, nesse horário cerca de cem garotos ainda estavam rebelados e ameaçavam fugir. Vários colchões foram incendiados.
Maus-tratos - De manhã, 20 homens da PM e 15 da Cavalaria permaneciam no local. Ao meio-dia, mais dois veículos foram incendiados no pátio. Os internos acusavam os monitores de maus-tratos e exigiam melhores condições dentro do complexo.
A situação só começou a acalmar-se quando cerca de cem homens do Batalhão de Choque invadiram o local, às 13 horas. Eles entraram por um portão lateral, soltando bombas de efeito moral para intimidar os rebelados.
No fim da tarde, pelo menos 150 fugitivos já haviam sido recapturados pela PM. Houve princípio de tumulto, quando um menor tentou fugir no momento em que era reconduzido à sua unidade.
Conforme o diretor-administrativo da Febem, Lindolfo Villas-Boas, os menores também fizeram estragos na enfermaria central e na unidade escolar. No fim da tarde, praticamente todos já haviam sido levados às suas unidades.
Alguns tiveram de mudar de prédio por causa dos estragos, mas ninguém seria transferido para fora do Tatuapé. Deveria ser feita a contagem dos menores, para chegar ao número exato de fugitivos. Alguns internos ficaram feridos. O caso mais grave foi o de um menor que levou uma pancada na cabeça. Após atendimento no Pronto-Socorro do Tatuapé, ele voltou à Febem. A Tropa de Choque deixou o local às 18 horas.

mockup