Fuga diária é de 70 mil veículos
Arquivo FolhaRota de fugaMotoristas, principalmente caminhoneiros, reclamam do alto custo dos pedágios e buscam alternativasAs rodovias administradas por empresas particulares em São Paulo perderam cerca de 70 mil veículos por dia desde o começo do processo de concessão, em março do ano passado. Os dados abrangem as principais estradas do Estado, como Anhanguera, Bandeirantes e Imigrantes, totalizando 2.329 km.
Se o tráfego estivesse dentro do esperado, as concessionárias teriam arrecadado juntas cerca de R$ 50 milhões em um ano – o suficiente para pagar metade da duplicação prevista para a rodovia Brigadeiro Faria Lima e que não está pronta, no trecho de 86 quilômetros que liga Matão a Bebedouro. A obra está entre os principais projetos no interior do Estado.
A estimativa da Folha de S.Paulo levou em conta a menor tarifa de pedágio cobrada nos trechos onde os veículos desapareceram. Também foi convencionado um único eixo para o cálculo. O prejuízo pode ser ainda maior. A média de queda do tráfego estadual está em 13,5% em todos os nove trechos concedidos.
Não há um estudo específico sobre os motivos da queda no número de usuários das rodovias. Projeções anteriores vinham mostrando potencial de crescimento de até 4% ao ano em trechos que apontam mais de 10% de queda hoje. Segundo as concessionárias, a maior fatia do tráfego escapa por rotas de fuga. São atalhos, até mesmo sem asfalto, que livram os motoristas dos pedágios e os retiram das estatísticas oficiais.
Na região de Ribeirão Preto, por exemplo, o Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas chegou a distribuir mapas com rotas de fuga para os caminhoneiros no final do ano passado. O roteiro mostrava como era possível percorrer 300 quilômetros entre a cidade e a capital paulista sem pagar nenhum dos oito pedágios.
‘‘Não somos contra a cobrança, mas o valor deveria ser mais justo’’, disse Wilson Piccolo Soares, presidente da entidade. Por enquanto, o governo do Estado não fala em rever o valor das tarifas, adiar obras por causa da queda na arrecadação ou licitar os 12 lotes de estradas que ainda restam no programa de concessões.
‘‘A queda do número de usuários era um risco previsto no contrato e não dá direito a demanda (pedir revisão). Acompanhamos o problema e temos todo o interesse de que o contrato seja cumprido’’, afirmou José Vitor Soalheiro Couto, coordenador-geral da Comissão de Concessão.
Para o diretor-presidente da AutoBAn, Márcio José Batista, a situação preocupa porque a receita era a garantia que os bancos exigiam para liberar linhas de crédito. No começo da concessão, as empresas deveriam tomar empréstimos para completar as obras predeterminadas. ‘‘Vamos tentar inibir as rotas de fuga e torcer para que o País volte a crescer em 98’’, afirmou Batista.
O empresário Rodrigo Lorenzato, 29, faz parte do grupo de motoristas que desapareceu das estatísticas de tráfego. Há cinco meses, deixou a camionete em casa e passou a pegar carona para trabalhar. (A.E.)

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