Fuga de traficante prejudica trabalho da CPI em Vitória
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Murilo Fiuza de Melo, enviado especial 
Vitória, 18 (AE)- Antes mesmo de desembarcarem hoje à tarde em Vitória, os deputados da CPI do Narcotráfico já tiveram as investigações sobre crime no Espírito Santo prejudicadas. Na última sexta-feira, o traficante Marcelo Barbosa, o Coelho, de 30 anos, fugiu do presídio de segurança máxima de Colatina, a 250 quilômetros da capital capixaba. Coelho iria depor na comissão e, segundo o Ministério Público do Estado, pretendia revelar todo esquema de extermínio, tráfico e corrupção em funcionamento no Estado.
"Seria um depoimento importante", lamentou o deputado Fernando Ferro (PT-PE), presidente da subrelatoria da CPI para o Espírito Santo. "De qualquer forma, vamos investigar a fuga dele, que nos pareceu muito estranha." Segundo o secretário estadual de Justiça, coronel Luiz Sérgio Aurich, Coelho saiu pela porta da frente do presídio por volta das 22h40 de sexta-feira. Na tarde da mesma sexta, ele recebeu a visita de um outro narcotraficante conhecido no Estado. "Acredito que esse narcotraficante foi negociar a fuga do Coelho, por isso já determinei a prisão de toda guarda que estava de plantão naquele dia e afastei o diretor do presídio", afirmou Aurich. A última fuga da penitenciária de segurança máxima de Colatina ocorreu há cinco anos.
O promotor Leonardo da Costa Barreto disse que há 40 dias conversou com Coelho, após o indiciamento do traficante no crime de atentado ao atual prefeito de Cariacica (Grande Vitória), Jésus Vaz, em setembro de 1997. "Ele sabe muita coisa sobre o atentado, inclusive quem eram os mandantes", disse Barreto. Na época, Vaz, que era vice, denunciou o então prefeito Cabo Camata
morto em acidente de carro no mês passado. Coelho era acusado também pelos assassinatos do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Espírito Santo, João Nato, e do vereador João Pedro da Silva, o João Bigode, de Linhares (norte do Estado).
Apesar da fuga do traficante, a CPI contará com o depoimento do empresário Alberto Ceolin, que estava foragido e foi preso pela Polícia Federal em Marabá, no sul do Pará, no último sábado. Ceolin é acusado de formar com o sócio Antônio Roldi e o ex-prefeito da Serra (Grande Vitória) Adalton Martinelli um complexo esquema de extorsão de dinheiro a prefeituras do Estado
com licitação e concursos públicos fraudulentos.
Os três são acusados pela Justiça de serem os mandantes do assassinato do ex-prefeito da Serra José Maria Feu Rosa, e seu motorista Itagildo Coelho, em junho de 1990. Roldi, que foi convocado pela CPI para depor, está foragido. Ceolin desembarcou em Vitória na noite de ontem e seguiu para a Superintendência da Polícia Federal, em Vila Velha (Grande Vitória).
Nesta terceira ida ao Espírito Santo, a CPI irá concentrar os trabalhos no narcotráfico. Em dezembro, as investigações da comissão fixaram-se nas ligações do jogo do bicho e do crime organizado com o narcotráfico. O presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, deputado José Carlos Gratz (PFL), e a advogada Solange Antunes, então assessora especial do ministro da Defesa, Élcio álvares, foram indiciados e tiveram seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados.
Solange entrou com liminar no Supremo Tribunal Federal e impediu que fosse investigada. Ontem, os deputados se encontraram com o governador José Ignácio Ferreira (PSDB) e depois ouviram o presidente da OAB capixaba, Agesandro da Costa Pereira, que entregou um dossiê sobre a ação do crime organizado no Estado. A comissão irá ouvir cerca de 17 pessoas, entre quais um informante da polícia identificado como Senhor X, que desembarcou na segunda-feira em Vitória em companhia do deputado Lino Rossi (PSDB-MT). Ele pretende apontar as conexões de traficantes do Estado com os de outras regiões do País, inclusive a participação de policiais com o grupo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.


