Brasília, 15 (AE) - A fuga de divisas do País em janeiro
mês da mudança da política cambial e do agravamento da crise de confiança no Brasil, causou perdas de US$ 8,4 bilhões nas reservas brasileiras, tanto no conceito de caixa quanto no conceito de liquidez internacional (que leva em conta os créditos que o País tem a receber no médio e longo prazo). O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, explicou que as intervenções do BC no mercado de câmbio, ou seja, as vendas diretas do BC, foram de US$ 8,591 bilhões.
Desse total, US$ 6,5 bilhões correspondem às vendas líquidas no segmento livre e US$ 2,1 bilhões no flutuante. A diferença, de US$ 151 milhões, corresponde ao ingresso líquido de recursos nas operações do BC com o setor externo.
A saída de recursos afetou fortemente os investimentos em bolsa (anexos I a IV) e os fundos de investimento capital estrangeiro. "Para fevereiro e março, já estamos verificando uma reversão", declarou Lopes.
De acordo com o chefe do Depec, a perda líquida de investimentos externos, registrados nos anexos de um a quatro (bolsa) foi de US$ 554 milhões em janeiro. Segundo dados preliminares do BC, os investimentos em bolsa foram positivos em fevereiro em US$ 79 milhões, sendo de US$ 94 milhões o ingresso líquido de recursos até o dia 15 de março.
Os investimentos em anexo V (ADR), que em janeiro foram positivos em US$ 164 milhões, permaneceram positivos em fevereiro (US$ 171 milhões), estando também positivo em março em US$ 24 milhões até o dia 15.
Pelos fundos de investimento estrangeiros saíram, em janeiro, US$ 1,216 bilhão. Em fevereiro a saída limitou-se a US$ 266 milhões e em março, até o dia 15, o BC registrou ingresso de recursos da ordem de US$ 2 milhões. Esse resultado, para o chefe do Depec, significa que a situação estabilizou-se.
Contribuiu para isso a queda verificada no estoque, ou seja, no saldo desses fundos. O Fundo de Renda Fixa Capital Estrangeiro tinha, em dezembro, US$ 2,2 bilhões. Em janeiro esse estoque foi reduzido para US$ 1,3 bilhão.
Em contrapartida às perdas, o Banco Central contabilizou
desde o início do ano até 15 de março, ingressos de investimentos externos no País de US$ 6,044 bilhões. Segundo Lopes, essa estimativa, mesmo preliminar, dá segurança ao governo de que será possível atingir, com folga, a previsão acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de se obter, no ano, US$ 17 bilhões de investimentos diretos.
Antecipação - Em janeiro, pelos dados do Depec, os investimentos diretos somaram US$ 1,01 bilhão, tendo saltado em fevereiro para US$ 4,385 bilhões. O salto, de acordo com Lopes, ocorreu pela antecipação dos recursos da privatização da Telebrás, que somaram US$ 3,835 bilhões.
Se não fosse a antecipação do pagamento, os investimentos diretos, em fevereiro, teriam ficado em apenas US$ 550 milhões. Em março, até o dia 15, os investimentos diretos somavam US$ 649 milhões.
Para o chefe do Depec, também o financiamento às exportações, que estava reduzido, está voltando. De acordo com Lopes, 53,7% das exportações contratadas em dezembro de 1998 estravam amparadas por financiamento - Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Esse porcentual caiu para 46,9% em janeiro, voltando a subir para 51,6% em fevereiro.

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