Fruticultores contabilizam prejuízos
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terça-feira, 05 de setembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Apesar de a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (Seab) ainda não apontar os prejuízos do setor agrícola com a geada que atingiu todo Paraná, ontem, os produtores já lamentavam os estragos ocorridos na lavoura. Segundo o fruticultor Idir Osmar Buske, funcionário da Emater que atende as regiões de Curitiba, Ponta Grossa e União da Vitória e Irati, houve perda de mais de 50% da produção de fruticultura na RMC. No município da Lapa, ele estima que a geada comprometeu em torno de 12 mil toneladas de frutas, cerca de R$ 15 milhões.
Buske é produtor de frutas de caroço (pêssego, ameixa e nectarina) e estava preparado para enfrentar um frio de até dois graus negativos, mas registrou cinco graus abaixo de zero no pomar. ''Fiz aplicação de açúcar no dia anterior, produzi um efeito estufa com lenha e fogo, mas diante do frio intenso a fruta congela'', relata. ''A planta que estava em florescimento até o endurecimento do caroço não se salvou. O meu prejuízo foi de R$ 300 mil. Fica difícil manter o pomar para a próxima safra'', disse.
Outro produtor de Colombo (RMC) reclama ter perdido R$ 20 mil com a geada. ''Fui pego de surpresa. Não imaginava que seria tão forte, até porque a propriedade fica num lugar alto. Matou os pés de chuchu e queimou a couve-flor que eu já estava colhendo. Cheguei a cobrir com um pano o chuchu, mas não adiantou'', conta o horticultor Mário Agostinho Guarise, de 45 anos.
''O que temos de positivo é que a geada acontece numa fase de pouca intensidade no campo. Estamos com a produção do trigo já na fase de maturação e início de culturas como feijão e fumo'', disse o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Paulo Meira.
No Centro-Oeste a geada foi moderada mas a região que já tem 50% do trigo colhido. No Oeste, onde a temperatura atingiu 1,5 grau negativo, a produção de trigo pode ter sido prejudicada. No Norte, apesar da florada do café, é possível que os danos não sejam expressivos. Sul e Sudoeste sofreram geadas fortes que podem comprometer plantações de trigo e cevada, além das pastagens.


