Rio, 26 (AE) - Supermercados e feiras livres do RJ estão vendendo frutas, legumes e verduras com agrotóxicos acima do índice aceitável. A conclusão é do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que analisou 40 amostras de produtos, a pedido a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa (Alerj). No caso do brócolis e do morango
o nível de agrotóxico é quatro vezes maior do que o tolerável. Os alimentos estudados foram produzidos em São Paulo, no Rio Grande do Sul e na Região Serrana do RJ.
Os pesquisadores investigaram indícios dos pesticidas organofosforados e carbamatos, que atuam sobre o sistema nervoso central, provocando tremores, convulsões e taquicardia. "É considerado tolerável até 0,2 partes por milhão (ppm) de agrotóxico", explica a bióloga Cláudia de Melo Moura, que participou da pesquisa. No morango e no brócolis, o estudo encontrou índice de 0,8 ppm. Os outros alimentos considerados impróprios para o consumo foram vagem (0,6 ppm), agrião (0,5 ppm) e figo (0,4 ppm). Alface e chuchu estão próximos do nível considerado tolerável. "O carioca não conhece a qualidade do alimento que está consumindo", diz a bióloga.
É a segunda vez que a UERJ faz levantamento dos legumes, verduras e frutas consumidas no Estado, a pedido da Comissão de Meio Ambiente da Alerj. Há um ano e meio, quando foi feito o primeiro estudo, o tomate era considerado impróprio. "Foi feito um trabalho de consicentização com os produtores de Paty do Alferes (no centro-sul fluminense) e a concentração de agrotóxico diminuiu", afirmou o presidente da comissão, deputado Carlos Minc (PT). "O índice de contaminação nos morangos de Friburgo também caiu; o mais contaminado agora é o paulista".
De acordo com Cláudia Moura há pouco a fazer para diminuir o impacto do agrotóxico no organismo. "Há estudos em desenvolvimento na Uerj segundo os quais o bicarbonato de sódio teria efeito importante para reduzir a quantidade de agrotóxico, principalmente organofosforado", afirma. A bióloga aconselha a tirar a casca das frutas. "Mas o que está dentro do fruto não se consegue tirar, por isso é importante respeitar os limites".
De acordo com a Comissão de Meio Ambiente, no Estado são usados 32 agrotóxicos. Dezessete são os mais nocivos à saúde, desses oito são proibidos em outros países. "Pedi a impugnação do registro desses pesticidas ao Ministério da Agricultura", afirmou Minc. A partir da pesquisa, o deputado conseguiu a promessa dos secretários de Agricultura, Noel de Carvalho, e de Meio Ambiente, André Correa, de reativar o Conselho Estadual de Controle de Agrotóxicos e Biocidas (Cecab), que até 1993 fazia o controle dos alimentos consumidos no Estado.

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