Frustrada busca da polícia por revólver usado em crime
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Mauro Mug 
São Paulo, 04 (AE) - Policiais militares voltaram hoje a vasculhar a mata da Vila São Benedito, em Franco da Rocha, na tentativa de encontrar o revólver calibre 38 que o pistoleiro Antônio Agostinho Ferreira, o Paraíba, diz ter jogado na área, após matar o ex-presidente da Câmara Municipal daquela cidade, Gilson Gabriel da Rosa. As buscas foram encerradas à tarde, sem que a arma usada no crime tivesse sido localizada. Paraíba confessou que recebeu R$ 2 mil do ex-vereador Antonio Lopes da Silva, o Toninho, para assassinar Rosa, em fevereiro do ano passado.
Paraíba deixou hoje mais uma vez a Cadeia Pública de Cajamar para fazer sua identificação oficial no distrito policial de Franco da Rocha. "Tiramos suas impressões digitais e colhemos informações pessoais, como filiação, do Paraíba", disse o delegado-assistente da Delegacia Seccional de Franco da Rocha, Nivaldo da Silva Santos.
Santos esclareceu que somente na próxima semana Paraíba será levado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo. "Como vamos concluir o inquérito policial até sexta-feira, preferimos ficar com ele até lá para o caso de surgir alguma dúvida", explicou o delegado.
No DHPP, o pistoleiro será interrogado a respeito da morte do ex-secretário de Finanças do Município de Guarulhos Manuel Rezende da Silva, de 62 anos, em 13 de junho de 1997, no começo da administração do ex-prefeito Néfi Tales.
A polícia havia concluído que Silva teria sido assassinado por Aparecido Gomes Pereira, de 37 anos. Pereira era funcionário do médico Primo Simionato, proprietário da empresa Resilar, que mantinha contratos com a prefeitura de Guarulhos.
O médico chegou a ser investigado pela polícia como suspeito de ser o mandante do assassinato do secretário. Silva teria descoberto irregularidades no contrato da Resilar, que acabou sendo cancelado. Pereira foi morto a tiros quatro meses depois do assassinato do ex-secretário de Finanças.
Na semana passada, surgiu um fato que surpreendeu a polícia. Ao ser preso em Fortaleza, no Ceará, Paraíba confessou também ter recebido R$ 15 mil de Simionato para matar o ex-secretário de Finanças de Guarulhos.
Antes dessa denúncia, Simionato e Néfi tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Eles são acusados de corrupção, formação de quadrilha e de falsificar documentos. O ex-prefeito encontra-se preso no 13.º Distrito Policial, no bairro da Casa Verde, em São Paulo, enquanto o médico continua foragido.


