Frota passa dos 17 milhões de veículos
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 1998
Marli Olmos Agência Estado 
O Brasil tem 17.720.720 veículos, o que significa que há no País nove habitantes por veículo. Essa proporção tem se repetido nos últimos quatro anos. Mas, a partir do próximo ano vai cair para oito habitantes por veículo. A frota atual tem idade média de 10 anos e dois meses. Mas as perspectivas apontam para um rejuvenescimento a curto prazo. Em quatro anos, a idade média dos veículos que rodam pelo Brasil diminuiu um ano.
Este é o resultado de um estudo inédito, preparado pela subcomissão de estatísticas comerciais do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), obtido com exclusividade pela Agência Estado. Os dados, que resultam de sete anos de trabalho desse grupo, representam o que existe de mais atualizado em pesquisa sobre frota no Brasil.
Para os próximos dois anos, estima-se que a relação veículos/habitante permanecerá em oito. Mas a frota vai crescer. Passará dos atuais 17,7 milhões para cerca de 23 milhões, segundo as projeções do Sindipeças. Este cálculo já leva em conta os investimentos anunciados para ampliação de produção e chegada de novas montadoras.
O resultado do trabalho derruba informações que circulam com frequência no setor automotivo e que foram baseadas unicamente nos registros dos órgãos de trânsito. O Brasil não possuía com nenhuma espécie de atestado de óbito para veículos - uma definição da coordenadora da subcomissão, Maristela Castanho para o registro do veículo que sai da frota.
O grupo do Sindipeças fixou em 1,5% o índice de sucateamento. Isso corresponde ao total de veículos que deixam de circular ou porque passaram por um acidente com perda total ou porque foram roubados e seguiram para desmanches. O número é resultado de intensa pesquisa em diversas áreas, como seguradoras, órgãos de trânsito, empresas de petróleo e até entidades que cuidam do meio ambiente.
O índice de sucateamento é muito baixo quando comparado aos 7% dos Estados Unidos. Naquele país, onde há 1,2 veículo por habitante, os critérios para retirar um carro de circulação são muito mais severos. E podem vir a ser também no Brasil, se a legislação sobre inspeção veicular for cumprida. Com uma inspeção mais rigorosa a tendência é de a idade média diminuir, o que não significa que a relação habitantes por veículo continue a cair, já que com mais inspeção haverá menos carros, observa Maristela.
Desde a última vez em que o Sindipeças atualizou o estudo, em 1993, a frota brasileira cresceu 19,25%. O número de veículos que circulavam pelo País naquela época, 14,85 milhões, já dava mostras de um crescimento de vendas de carros novos por conta de duas câmaras setoriais. De 1990 a 1993 a frota aumentou 7,9%. Mas foi a partir de 1993 que o crescimento se acentuou, por conta do programa do carro popular.
O estudo sobre frota tem ajudado os sócios do Sindipeças a programar sua produção para o mercado de reposição. As informações servem, inclusive, para mostrar que essas empresas tem de abastecer o que se chama de frota marginal, formada por automóveis nas piores condições de uso.
A comissão apurou que no Brasil os veículos só saem de circulação em caso de acidente grave, com perda total. O mais comum é que permanecem na frota mesmo em condições precárias e com idade acima do aconselhável pelo fabricante.


