Frota paranaense tem menor crescimento em dez anos
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina O crescimento da frota de veículos no Paraná em 2014 foi o menor em dez anos, com um incremento de apenas 5,36% em relação a 2013. No ano passado, o número de novos emplacamentos no Estado chegou a 329 mil, considerando motos, automóveis, ônibus e caminhões. Em 2013, pouco mais de 361 mil veículos novos foram registrados no Estado. Segundo dados repassados pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), o Estado acumula um total de 6.489.289 veículos, a terceira maior frota do País, perdendo apenas para São Paulo (25,7 milhões) e Minas Gerais (9,4 milhões).
A desaceleração surpreendeu até mesmo o coordenador de veículos do Detran-PR, Nelson Lambach. Segundo ele, a redução no índice, que já atingiu a marca de 8,9% em 2008, é reflexo do atual cenário econômico no País. "O Paraná, aos moldes de outros estados, concede vantagens a frotistas no emplacamento. Não houve alterações na forma de registrar os veículos, mas o aumento da frota foi influenciado pela desaceleração do País como um todo", destaca.
Na contramão do Estado, Curitiba e Londrina registraram crescimento de 12,62% e 5,7%, respectivamente, no número de veículos emplacados entre 2013 e 2014. Com a terceira maior frota do País, o presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), Marcelo José Araújo, reforça a necessidade de se pensar políticas públicas voltadas para o sistema viário local.
"Nem toda a frota registrada no Estado continua circulando por aqui. Grandes indústrias e até locadoras de veículos que se instalam no Paraná emplacam os veículos, mas usam os carros e caminhões em outras regiões do Brasil. Ainda assim, é preciso refletir sobre melhorias que podem ser feitas no tráfego das grandes cidades", afirma.
O professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eduardo Ratton concorda que é necessário investir em mobilidade urbana. No entanto, para ele, o próprio Governo Federal favoreceu o desequilíbrio entre o aumento da frota e o sistema viário como um todo.
"Agora houve uma desaceleração, mas temos hoje aproximadamente 1,5 pessoa para cada automóvel no Paraná. É praticamente impossível acompanhar esse crescimento com investimentos no setor. São recursos que deixaram de ser aplicados nos últimos 30 anos. O Governo Federal aumentou ainda mais essa disparidade ao incentivar a compra de veículos sem investimentos no sistema viário na mesma proporção. As condições no sistema de transporte coletivo pioraram nos últimos anos e houve redução no número de passageiros em cidades como Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo", argumenta. Entre as soluções apontadas pelo professor estão o incentivo a outras formas de locomoção, como a bicicleta, e a flexibilização no horário de funcionamento de órgãos públicos.



