Fronteira sente reflexos da cheia
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Elza AndréaSubmersaA vazão na confluência dos rios Paraná e Iguaçu passou de 12 mil para 29,5 mil metros cúbicos por segundo. Mesmo com o tempo ensolarado e sem previsão de chuvas nas próximas horas, a fronteira está debaixo da água
As chuvas que castigaram o centro do Paraná nos últimos dias são o primeiro teste do Espaço das Américas, inaugurado pelo governador Jaime Lerner no dia 17. Construído na confluência dos rios Paraná e Iguaçu, as águas já atingem os porões do prédio. A Hidrelétrica de Itaipu foi obrigada a abrir o segundo vertedouro para dar vazão a água.
Apesar do tempo ensolarado e sem previsão de chuvas, a fronteira entre o Brasil e Paraguai começa a sentir os reflexos das enchentes. Técnicos do governo do Estado afirmam que não há perigo e que o Espaço das Américas não corre nenhum risco. O prédio tem 17 metros de altura e foi construído à base de pedras e ferro.
De acordo com o Departamento de Hidrologia de Itaipu, a vazão na confluência dos rios Paraná e Iguaçu passou de 12 mil para 29,5 mil metros cúbicos de água por segundo. Na ponte da Amizade, às 7 horas de ontem, a Itaipu registrava o nível do rio Paraná em 116,6 metros de profundidade. A previsão da empresa é que o nível do rio tenha subido cerca de um metro por dia.
O aumento no volume de água fez com que a Itaipu abrisse o segundo vertedouro. Pelas oito comportas, estão passando cerca de 17 mil metros cúbicos de água por segundo. A vazão normal nas comportas de Itaipu é de nove mil metros cúbicos.
Em Foz do Iguaçu, a Prefeitura iniciou a retirada de famílias que vivem nas margens dos rios Paraná e Iguaçu. Em Ciudad del Este, no Paraguai, pelo menos 60 famílias estão desabrigadas e outras 120 estão em área de risco.
A situação mais crítica é em Ciudad del Este, no Paraguai. Sessenta famílias estão desabrigadas. Durante o dia, as famílias ainda tentavam retirar dos barracos o que sobrou da enchente. Houve até congestionamento de barcos. A água encobriu todo o campo de futebol e quadra da Favela San Rafael. As luminárias da quadra ficaram abaixo do nível da água.


