Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O número de pessoas infectadas com a dengue no Departamento (equivalente a Estado) de Alto Paraná no Paraguai, região próxima à fronteira com o Brasil onde fica Ciudad del Este, atingiu a cifra dos três mil casos. O índice foi divulgado anteontem durante uma reunião do Comitê da Fronteira, que envolve representantes dos setores de vigilância sanitária e epidemiológica do Brasil, Paraguai e Argentina.
Segundo o relatório da 10ª Regional de Saúde do Paraguai, a doença foi confirmada clinicamente nestes pacientes, ou seja, todos os sintomas foram identificados pelos médicos. Resta agora esperar o exame final dos laboratórios, que já confirmaram oito casos em Ciudad del Este.
Em Foz do Iguaçu, onde até semana passada apenas um caso havia sido registrado, o mosquito transmissor da doença infectou outras três pessoas. Estes e outros quatro casos, identificados entre paraguaios que vêm buscar tratamento nos postos de saúde brasileiros, foram confirmados por meio de exames laboratoriais.
Diariamente, cerca de 30 exames relacionados à dengue são feitos pela 9ª Regional de Saúde em Foz, sendo 85% deles realizados em pacientes vindos de Ciudad del Este.
Com o surgimento da doença na fronteira, as campanhas de erradicação do mosquito Aedes aegypti foram intensificadas nos três países. Na Argentina e no Brasil a limpeza de córregos e terrenos vazios está sendo feita com o auxílio de mutirões, formados por moradores e funcionários das secretarias de Saúde. Em Foz do Iguaçu, 164 pessoas participam de um arrastão de limpeza nos bairros da cidade.
No Paraguai, 50 funcionários da Hidrelétrica de Itaipu estão ajudando em um projeto semelhante, desenvolvido pelo Departamento de Epidemiologia de Ciudad del Este. Eles e 200 alunos da rede pública de ensino percorrerão os bairros, distribuindo folhetos e cartazes sobre como manter os quintais limpos de focos do mosquito.
Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a incidência do inseto em uma cidade não deve ultrapassar os 5%. Em Foz do Iguaçu, a média é de 20%, enquanto que no Paraguai este número ultrapassa os 50%. Em Puerto Iguazú na Argentina, apesar de não haver registros da doença, o índice chega a 40%.

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