Em abril de 99, sai a decisão definitiva. Até lá, três municípios paraguaios na fronteira com o Brasil estarão lutando para abrigar jogos da Copa América/99, o mais importante torneio interseleções do continente. Hernandarias, Ciudad del Este e Puerto Franco dependem de investimentos em infra-estrutura e na construção de estádios para serem incluídas no evento que, pela primeira vez, se realiza no país.
Faltam cerca de seis meses para que o Comitê Organizador, coordenado pelo general de reserva Lino Oviedo - um dos líderes políticos mais influentes do país -, em conjunto com uma comissão da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmembol), entidade sediada em Assunção, para que as seis sedes sejam definidas. Com precária infra-estrutura para grandes eventos esportivos, o Paraguai já esteve ameaçado pela Conmembol de perder o direito, conquistado em 1997, de organizar a copa, em junho próximo. Todos os clubes profissionais do país estão concentrados na região metropolitana da capital e os estádios do interior não reuném condições para sediar os jogos da competição, televisionados para 77 países.
‘‘É uma chance única de melhorarmos a estrutura do esporte. Precisamos fazer tudo muito bem feito. Afinal uma competição deste porte no Paraguai, só na próxima geração’’, destacou o general Oviedo. O discurso foi feito, em Hernandarias, por ocasião de sua visita à fronteira, no dia 13 de outubro. Oviedo falou para uma platéia de 200 pessoas, entre elas empresários, autoridades esportivas e membros da Comissão Pró-Construção do Estádio, no terreno onde se erguirá o Estádio Tacurú Pucú.
Embora o estádio para 25 mil pessoas e reorçado em US$ 3 milhões (o outro projeto com estacionamento e acessos asfaltados custaria o triplo), ainda não tenha saído do papel, Hernandarias continua sendo considerada favorita para sediar os jogos da Seleção Brasileira.
Considerada a capital mundial da energia - além da pequena hidrelétrica de Acaray, a cidade abriga a gigantesca Itaipu Binacional - Hernandarias tem peso político e o apoio de Oviedo: ‘‘Estudei dois anos nesta cidade. Tenho carinho especial por Hernandarias. Vamos remover céu e terra para que se realizem jogos aqui’’. Sobre a dificuldade de se levantar recursos para a construção, o general indicou o esforço comunitário da população de Pedro Juan Caballero, que conseguiu levantar erca de US$ 500 mil para iniciar as reformas do estádio.
No mesmo dia da visita a Hernandarias, o coordenador do Comitê Organizador percorreu as futuras instalações dos estádios de Ciudad del Este e Puerto Franco. Na primeira, encontrou operários já trabalhando na construção. A obra é uma iniciativa de empresários, sócios do clube 3 de Fevereiro. Os engenheiros garantiram que, em abril, a obra, com capacidade para 30 mil expectadores e custo de US$ 2 milhões, estará concluída.
Torneio As doze seleções - dez da América do Sul, mais México e Japão - ficarão divididas em três grupos. O número de subsedes ainda não foi definido. Além do estádio Defensores del Chaco (o maior do país e sede da partida final), em Assunção, estão na briga, Luquén (na Grande Assunção) e Hernandarias, Ciudad del Este, Puerto Franco e Pedro Juan Caballero (na fronteira com o Brasil) e Encarnación, na fronteira com a Argentina. O estádio do Cerro Porte¤o, também em Assunção, pode ser utilizado em caso de emergência.Ney de SouzaGeneral Lino Oviedo visita obras do estádio de Hernandarias: ‘‘É uma chance única de melhorarmos a estrutura do esporte’’Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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