Foz do Iguaçu - Cerca de 1,5 mil estudantes, adolescentes, crianças e professores fecharam a Ponte Internacional da Amizade ontem de manhã por meia hora para marcar o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. O ato reuniu representantes de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), cidades com alto índice de vítimas de exploração, entre elas o comércio sexual.
O ''palco'' estava repleto de faixas e cartazes, balões com cores do Brasil, Paraguai e Argentina. Dois parapaints com alertas escritos em português e espanhol sobrevoaram o local, que teve também a soltura simbólica de um pomba branca, execução do Hino Nacional dos três países, da música ''Amigos para Sempre'' (de Braga Holanda) e assinatura de um termo de compromisso.
O documento, de seis pontos (veja nesta página), foi assinado pelos prefeitos de Ciudad del Este, Ernesto Javier Zacarias Irún; de Puerto Yguazú, Timoteo Llera, e pela secretária municipal da Criança, Sandra Hajak, que representou o prefeito de Foz, Sâmis da Silva (PMDB). Também participaram membros de mais de dez programas governamentais de assistência à criança.
Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), promotora do evento ao lado de organizações-não governamentais, cerca de 3,5 mil meninos e meninas de 5 a 17 anos são explorados sexualmente todos os anos região trinacional. ''Esse tipo de crime é o mais perverso'', diz Suely Ruiz, coordenadora do programa em Foz.
Ela conta que, chamada a atenção das autoridades, o próximo passo é pressionar Brasília para agilizar o trâmite de 57 projetos de lei que combatem com maior rigor o crime. Suely afirma que a legislação atual combate os agenciadores, porém é ''muito débil'' no trato dos usuários dessa prática. ''A exploração sexual precisa ser considerada um crime hediondo'', afirmou a coordenadora.
Suely Ruiz destacou que nesta edição o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil teve como tema o tráfico de crianças para fins de exploração sexual. No País, são 2,2 milhões, de 5 a 14 anos, que já trabalham, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em 2001. O estudo mostra que na faixa de 5 a 17 anos esse número sobe para 5,5 milhões.
O ato foi promovido na metade da travessia, interditando o trânsito das 10h30 às 11 horas, numa dia de semana normalmente de pouco movimento de sacoleiros. O manifesto, pacífico, foi acompanhado por policiais rodoviários federais e soldados da Polícia Nacional do Paraguai. A passagem de pedestres pelos passarelas da ponte não foi interrompida.
O Congresso instalou ontem uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a exploração sexual de crianças e adolescentes, que será presidida pela senadora Patrícia Gomes (PPS-CE). A abertura da CPI foi provocada por um estudo feito em 2002 pela Organização dos Estados Americanos (OEA). A pesquisa revelou que as quadrilhas de exploração sexual usam 241 rotas terrestres, marítimas e aéreas no Brasil. (Com Agência Estado)

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