Medellín- Traficantes colombianos estão usando a fronteira do Brasil com a Venezuela para fortalecer suas posições em países africanos, que utilizam como bases para fornecer cocaína para a Europa, onde o consumo tem crescido. Uma denúncia feita pela Drugs Enforcement Agency (DEA), repartição americana encarregada de combater o narcotráfico, divulgada esta semana na Colômbia, apontou o crescimento da passagem de droga a partir, principalmente, do território venezuelano, onde teriam sido triplicadas as rotas, utilizando também as ilhas do Caribe, além do território brasileiro. O aumento do tráfico em nações européias já provoca mudanças: em 1º de abril, oito governos da UE lançarão uma força-tarefa, baseada em Lisboa, para tentar bloquear a entrada no continente da cocaína enviada da África.
O crescimento da passagem de drogas pelo Brasil, a partir da Venezuela, ajuda a explicar o aumento das apreensões de cocaína pela Polícia Federal brasileira, divulgada recentemente. A avaliação inicial era a de que, com a implementação da Lei do Abate, que permite que a Força Aérea Brasileira (FAB) derrube aviões que entrem no espaço aéreo do Brasil sem autorização, grande parte do envido de droga tenha passado a ser feito por terra, facilitando as apreensões.
Não por acaso, os maiores crescimentos nas descobertas de cocaína pela PF aconteceram nas regiões Norte (junto à Colômbia, Bolívia e Venezuela) e Nordeste (trampolim para a Europa e África). Mas a informação da DEA também faz supor que o crescimento das apreensões ocorreu porque aumentou a quantidade de droga que passa pelo território brasileiro.
Relatos da DEA apontam a crescente presença de traficantes colombianos na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Senegal, Nigéria e Togo. Circulam em carros luxuosos, são publicamente reconhecidos como vendedores de droga, mas conseguem driblar as prisões porque têm bons contatos junto às autoridades policiais locais. A droga da Colômbia também já chega ao Quênia, Somália, Etiópia e Eritréia, diz a DEA. A entrada na Europa se faz via Marrocos e, daí, é feita pelos portos de Barcelona, na Espanha, e Roterdã, na Holanda. Também há, segundo a denúncia da DEA, desembarques em pistas de vôo clandestinas em Portugal e no território espanhol. Os traficantes da Colômbia são aliados dos cartéis mexicanos de Juarez, Sinaloa e El Golfo, segundo a imprensa local.

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