Fronteira agrava situação
Londrina - Foz do Iguaçu sempre apareceu entre as cidades mais violentas do País quando se trata de homicídios entre adolescentes. A melhor posição foi um 11º lugar na pesquisa divulgada em 2011. No primeiro ano do IHA, divulgado em 2006, a cidade foi apontada como a mais violenta do Brasil.
O principal motivo colocado por especialistas para o alto índice de homicídios é a proximidade com a fronteira do Paraguai e Argentina. ''A cidade tem uma peculiaridade que é a questão da fronteira. Ela proporciona aos jovens se aproximarem do tráfico de drogas e de mercadorias. E isso leva estes jovens ao mundo do crime e da violência'', ressalta André dos Santos, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
O secretário de Assistência Social do município, Ederson Dalpaiz, reconheceu que a fronteira proporciona atrativos econômicos aos jovens da periferia, mas ressaltou que o município tem quatro programas que trabalham em conjunto para dar assistência aos adolescentes em situação de risco e também para as famílias.
''Temos uma teia de proteção para assegurar os direitos e a inclusão social destes jovens. O nosso trabalho vai desde a formação profissional dos adolescentes, o combate ao trabalho infantil e também a capacitação dos pais'', explicou Dalpaiz. ''Se o pai e a mãe estiverem trabalhando, o jovem terá acesso aos seus direitos básicos e isso fortalece o vínculo familiar.''
Segundo a Secretaria de Ação Social de Foz, 2,5 mil jovens são atendidos pelos programas sociais da prefeitura. Além disso, outras 12 instituições não-governamentais também realizam trabalhos com adolescentes na cidade.
O secretário afirmou ainda que o município está conseguindo diminuir a violência contra adolescentes com o fortalecimento da rede de ensino integral, de atendimento a crianças e adolescentes e um maior combate à negligência dos direitos básicos dos jovens.
O presidente do Conselho Municipal acredita que as políticas públicas não conseguem atender a todos os adolescentes em risco e que a estrutura para apoiar aos usuários de drogas do município é precária.
''O ideal é fazer um trabalho de prevenção tanto para os jovens quanto para as famílias. Em Foz falta estrutura e equipamento para tratar dos usuários'', frisou André dos Santos.
O secretário de Segurança Pública de Foz, Adão Almeida, alegou que não tinha conhecimento sobre o IHA e, por isso, não iria se pronunciar. (L.F.C.)





