Frio favorece rendimento e qualidade do trigo no RS
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 6 (AE) - As baixas temperaturas que vêm sendo registradas no Rio Grande do Sul desde maio, nas fases de plantio e desenvolvimento inicial das lavouras de trigo no Rio Grande do Sul, já sinalizam para a elevação da produtividade da cultura nesta safra. Outro fator que beneficia as expectativas otimistas dos especialistas é a previsão de uma primavera seca, indispensável para o bom enchimento e maturação dos grãos nos meses de outubro e novembro.
"A tendência, neste momento, é de aumento no rendimento e na qualidade do trigo", disse o pesquisador da Embrapa-Trigo de Passo Fundo, Gilberto Cunha. "O quadro é favorável, mas deve-se levar em consideração também a capacidade de investimentos dos produtores", ressalvou. No ano passado, o Estado produziu 516,6 mil toneladas do grão em 384,6 mil hectares, com um rendimento de 1.343 quilos por hectare. Para a atual safra, a Emater-RS está projetando uma área plantada de 378 mil hectares.
De acordo com o pesquisador da Embrapa-Trigo, o frio registrado desde maio no Estado favorece o desenvolvimento das culturas de inverno porque permite uma brotação melhor, reduz a incidência de doenças, pragas e insetos e também elimina plantas daninhas remanescentes do verão. Até agora, segundo ele, as temperaturas médias têm se mantido abaixo da série histórica dos últimos 30 anos e também das registradas em 1998.
Em maio, segundo Cunha, a média na região de Passo Fundo (planalto norte), uma das maiores produtoras de trigo do Estado, ficou em 13,6 graus centígrados, contra o padrão histórico de 14 3 graus que se repetiu no mesmo mês do ano passado. Em junho a temperatura média ficou em 12 graus, ante os 13,8 graus de 1998 e os 12,7 graus históricos. Ontem (05), a temperatura mais baixa na região alcançou 1,4 grau.
O pesquisador explicou que a região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, concentra a maior área plantada de trigo mas registra as produtividades mais baixas. A área é a que apresenta as temperaturas mais elevadas e os níveis de tecnologia aplicada à produção mais reduzidos. O planalto e os chamados "Campos de Cima da Serra", no nordeste, apresentam rendimentos maiores devido ao frio mais intenso e ao maior desenvolvimento técnico das lavouras.


