Curitiba - O inverno começa oficialmente hoje, a partir das 10h22, e, pelo menos a região sul do Paraná irá sentir a queda de temperatura na primeira madrugada da nova estação. A previsão é que uma frente fria chegue ao Estado na noite de hoje. Se o frio demorou para chegar, a perspectiva é que ele também demore mais para ir embora.
A mesma frente fria que chega ao Paraná deverá levar geada e neve para as regiões serranas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A região norte do Estado pode ainda demorar mais uns dias para perceber a queda de temperatura, já que a frente fria luta contra a massa de ar quente estacionada a partir do norte do Paraná e na região sudeste do País.
A previsão do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) é que o frio, que começou a chegar mais tarde, se prolongue pelo menos até setembro. Normalmente, os dias mais frios começam em maio e vão até agosto. Essa alteração não é provocada por nenhum fenômeno específico, como o El Niño, mas uma ‘‘variabilidade natural’’, segundo afirma o pesquisador Alexandre Guetter, do Simepar. Para ele, o inverno terá principalmente as noites e madrugadas frias, mas os dias serão agradáveis principalmente por causa do sol, que brilhará a maior parte do tempo.
O instituto do Paraná tem uma avaliação diferente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), para o qual, já está confirmada a ocorrência do fenômeno El Niío, que surgia como uma incerteza. ‘‘O El Niño poderá resultar em inverno e primavera mais quentes, com chuvas acima do padrão climático na região sul do País’’, afirma o chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Inmet, Expedito Rebello, em documento do Ministério da Agricultura divulgado ontem.
Para os analistas do Simepar, ‘‘o El Niño é uma criança em gestação, que ainda não nasceu’’. Segundo Guetter, ele tem 75% de chances de vir a ocorrer, mas apenas em novembro e, portanto, suas influências ocorreriam somente para o ano que vem. ‘‘Este inverno será tão seco como acontece historicamente, ou até mais’’, afirma o meteorologista, discordando da avaliação do Inmet.
O fato de o Paraná ter tido o outono mais quente dos últimos 30 anos nada tem a ver com o El Niño, como explica o pesquisador paranaense. ‘‘O El Niño é um aquecimento das águas oceânicas que se forma na região equatorial do Oceano Pacífico. Neste outono, tivemos um aquecimento nas águas do Pacífico, só que bem mais ao sul, na altura do Chile, com aumento de temperatura também no Atlântico subtropical, até a altura do Rio Grande do Sul.’’

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