Frigoríficos querem adiar fechamento de fronteiras para controle de aftosa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 27 (AE) - Representantes da indústria frigorífica do Centro-Oeste estiveram hoje com o ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, para pedir o adiamento do prazo de 1º de julho, previsto para fechamento das fronteiras dos Estados que vão tentar obter o reconhecimento da Organização Internacional de Epizootias (OIE) como áreas livres de febre aftosa. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Frio de São Paulo, Edivar Vilela de Queiroz, o fechamento das barreiras vai prejudicar os frigoríficos paulistas - que importam gado do Mato Grosso do Sul - e poderá provocar fechamento de indústrias e maior desemprego.
Ele entende que apenas uma parte de Mato Grosso do Sul deveria ser isolada, já que os focos foram limitados a dois municípios. O ministro Francisco Turra disse que, por enquanto, o cronograma está mantido, mas garantiu que não haverá uma decisão unilateral do ministério, e sim de todos os que estão juntos no processo de erradicação da doença. Foi marcada uma nova reunião para os dias 15 a 17 de junho, quando o setor vai rediscutir a proposta. Os Estados do circuito Centro-Oeste que pedirão o reconhecimento como áreas livres de aftosa no ano que vem são São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Goiás e Distrito Federal. "Quero cumprir o cronograma para que o Brasil tenha condições de exportar mais carne e acabar com a doença", afirmou Turra.
O presidente do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Estado de São Paulo (Fundepec), Pedro Camargo Neto, que também participou da reunião, disse que entregou ao ministro um documento para reflexão do Ministério da Agricultura sobre os focos de febre aftosa que surgiram no Mato Grosso do Sul. Pedro Camargo entende que o ministério precisa melhorar sua atuação para que não ocorram novos focos, pois acredita que quando a doença foi detectada em Porto Murtinho, deveriam ter sido tomadas providências para evitar que ela não se repetisse no Estado, o que acabou ocorrendo cerca de um ano depois em Naviraí.
Camargo Neto avalia que o fechamento das fronteiras dos Estados do circuito Centro-Oeste poderá prejudicar os pecuaristas do Mato Grosso do Sul, prevendo queda nos preços do boi em pé no Estado. O ministro Francisco Turra explicou que durante a fase dos exames sorológicos - que deverá durar de julho a novembro - só não poderão entrar nos Estados do circuito animais vivos susceptíveis à doença - bovinos, búfalos, ovinos, caprinos e suínos. A comercialização de carnes com osso ou sem osso e derivados poderá ser feita sem problemas, afirmou.


