Frigoríficos prevêem crescimento de 40% nas exportações em 99
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 20 (AE) - Frigoríficos da região de Barretos estão apostando num aumento de até 40% no volume de exportações de carne este ano por conta da desvalorização do real e ainda devido a uma queda na demanda no mercado interno de até 15%, por conta da queda no poder aquisitivo da população. Segundo o presidente do Sindicato dos Proprietários de Frigoríficos do Estado de São Paulo, Edivar Vilela de Queiroz, o aumento já foi registrado nos primeiros quatro meses do ano.
"Mesmo que a proporção venha a cair um pouco nos próximos meses, a tendência é de que a carne brasileira tenha um volume exportado pelo menos 30% maior este ano", acredita. Segundo ele, a desvalorização deixou o produto brasileiro com melhores condições de concorrer no mercado externo, do que seus similares do Mercosul, principalmente Argentina. Mas para Queiroz, o volume exportado ainda é pequeno.
No ano passado, o Brasil exportou 6% do total abatido no País e, com o aumento, este índice deve passar para 7,8%. "Ainda temos um grande mercado inexplorado. Ainda segundo ele, a perspectiva do setor é de que nos próximos anos boa parte da carne seja exportada com maior valor agregado. Isso já vem acontecendo,por exemplo, em seu próprio frigorífico, lembra Queiroz. Segundo ele, o Frigorífico Minerva, de Barretos passou a exportar este ano pelo menos 15% de sua produção total sob forma de carne enlatada. "Isso com certeza vai influir no faturamento", acredita.
O volume, que está sendo destinado inicialmente aos Estados Unidos, juntamente com porções de carnes já embaladas que o frigorífico está colocando no mercado externo, já elevou em 50% o volume exportado. No Minerva, pelo menos 47% da carne são exportados, sendo 80% deste volume destinado à Comunidade Européia. Segundo o Serviço de Inspeção de Produtos Animais de São Paulo, (SIPA) o maior crescimento no volume de carnes exportadas foi registrado a partir da Alemanha, quase 200% em relação aos primeiros quatro meses do ano passado. "É uma tendência que deverá se confirmar também em outros países", acredita ele.
Segundo o presidente do Sindicato dos Proprietários de Frigoríficos do Estado de São Paulo, Edivar Vilela de Queiroz, um dos pontos fundamentais para esperar um crescimento do volume comercializado pelos frigoríficos este ano deve ser a retomada de um programa de incentivo do governo estadual, que determina isenção total do ICMS na compra de gado efetuada dentro do Estado de São Paulo. Ele lembra que pelo menos quatro frigoríficos que estavam desativados no interior do Estado voltaram às atividades nos últimos 40 dias por conta do incentivo e também pela perspectiva de aumento nas exportações. A estimativa do sindicato é de que juntos, os frigoríficos reabertos possam gerar em torno de 500 empregos.


