Araçatuba,SP, 02 (AE) - Os aumentos de até 38% da carne bovina na venda ao atacado foram justificados hoje pela direção do Sindicato da Indústria do Frio do Estado de São Paulo como uma forma de garantir o custo da estocagem do produto num momento em que os preços ainda oscilam e os consumidores resistem às compras.
Para o diretor administrativo do sindicato, Hélio Carlos de Toledo, o aumento também tem a finalidade de assegurar o pagamento do novo preço da arroba para o pecuarista sem o risco do comprador ir à falência. Segundo Toledo, isso significa que o preço também poderá cair um pouco nas próximas semanas.
Cortes como de filé e alcatra saíram hoje dos frigoríficos por R$ 2,95 o quilo ou com aumento de 15,69% depois da mudança do câmbio. Carne de segunda, como acém e ponta de peito, subiram de R$ 1,34 para R$ 1,85 o quilo. A margem de lucro do frigorífico - R$ 2,15 por arroba - aumentou em 22,09% sem contar a venda de miúdos e do couro.
Na Corretora Fortune de Araçatuba, os negócios de hoje revelaram princípio de acomodação e normalidade nos negócios com o boi gordo. Na bolsa de futuros, o mercado fechou firme com a queda do dólar. Os valores em dólares atualmente 23,47% abaixo do ano passado, vão ficar em -17,61% em outubro, para quando a arroba do boi está sendo vendida por R$ 42,48 para pagamento à vista.
No mercado físico as vendas aconteceram ao preço de R$ 33,00 com 30 dias de prazo e taxa de 2,43% para cobrança da duplicata. No Mato Grosso do Sul a arroba foi comercializada a R$ 31,00; no Mato Grosso R$ 29,00 e no Pará R$ 27,00.
Segundo o analista Élio Mecheloni Júnior, que trabalha na corretora, o volume de ofertas aumentou na praça de Araçatuba e a tendência é de uma estabilização dos negócios. Para Mecheloni, não se percebe pressão de venda por parte do pecuarista. Na sua opinião "as vendas estão sendo contidas também pelo pressentimento de que o preço pode recuar com uma oferta maior".

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