Frigoríficos ameaçam fechar portas no Triângulo Mineiro3/Mar, 17:45 Belo Horizonte, 03 (AE) - Os frigoríficos do Triângulo Mineiro já iniciaram demissões e ameaçam fechar as portas caso o governo de Minas não conceda incentivos fiscais e igualdade de condições com as empresas paulistas do setor. Alguns dos frigoríficos já iniciaram o processo de demissões e reduziram o volume de abate em plena safra. Em Ituiutaba, a filial do Frigorífico Bertin já demitiu 100 pessoas e outras 100 estão em férias, podendo ser dispensadas brevemente. "Se não conseguirmos chegar a um bom termo no acordo, as demissões poderão atingir 400 funcionários do frigorífico, o que significaria 50% do nosso quadro", disse o gerente administrativo do frigorífico, Mauro Lúcio Antunes. O abate em Ituiutaba, que atingia de 800 a 850 cabeças/dia, no período de safra, já passou para 600 cabeças/dia. O Bertin possui unidades em Lins (SP), Barra do Garça (MT) e Naviraí (MS) e deverá inaugurar uma nova unidade em Mozarlândia (GO) até o final deste mês. Em Araguari, segundo o diretor-executivo do Frigorífico Mata-Boi, Adilson Turci, o abate reduziu de 40% a 45%. "Chegamos a abater de 9 mil a 10 mil cabeças/mês e hoje não passamos de 4 mil reses/mês", disse. O Mata-Boi também demitiu 100 pessoas nos últimos meses e não descarta paralisar as atividades. "A diferença do incentivo fiscal seria suficiente para ampliar o abate", diz Turci. Sindicato - O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Ituiutaba, Marcos Antônio Moura Franco, afirma que a redução do volume de abate se deve muito mais ao atraso na safra como consequência da estiagem no ano passado, do que à falta de concessão de incentivos propriamente. De acordo com ele, o atraso na safra e a perda das pastagens significaram a redução de uma média de 1,5 mil cabeças/dia, para 600 cabeças/dia. "Trata-se simplesmente de atraso na safra", diz ele, afirmando ainda que "assim que a situação melhorar, com a continuidade das chuvas pelo menos até maio, as contratações serão retomadas", acredita. Ainda assim, os frigoríficos do Triângulo Mineiro deverão se reunir com o secretário-adjunto da Fazenda de Minas na próxima semana para pedir um tratamento fiscal igual ao que São Paulo concede às empresas. As reivindicações dos empresários são de que o governo mineiro conceda a isenção de ICMS dentro do Estado e que ainda possibilite o aproveitamento de créditos fiscais para a aquisição de bovinos e suínos de outros Estados, para a compra de energia elétrica ou óleo combustível utilizados no processo industrial e ainda para o material de embalagem.

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