Frigorífico fecha e prejudica distrito
Marcos Zanatta
De Maringá
A falência do Frigorífico Nacional, decretada pela Justiça na semana passada, está afetando a economia do distrito de Floriano, em Maringá. Dos cerca de 210 funcionários que a empresa mantinha, pelo menos metade mora no distrito, que não tem outra alternativa de emprego. Os moradores dependem do frigorífico, mas a situação está complicada faz tempo porque os trabalhadores não estavam recebendo os salários, conta o vereador Belino Bravin (PPB).
Os empregados estavam de férias desde meados de julho. No início de agosto, representantes do frigorífico acionaram o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Maringá para fazer a dispensa dos funcionários. O pessoal pediu para o sindicato chamá-los e avisou que a dispensa seria feita sem o acerto dos direitos, lembra Rivail Assunção da Silveira, presidente do sindicato. Imediatamente procuramos a Justiça do Trabalho para garantir os direitos dos empregados.
Silveira pediu a liberação do FGTS e do seguro-desemprego, além do sequestro de bens da empresa e dos proprietários, que estão fora da região. Silveira disse ainda que está tentando recolocar o pessoal dispensado, mas poucas empresas do setor têm vaga disponível.
Segundo os desempregados de Floriano, apenas um ex-trabalhador do Nacional conseguiu trabalho em outro frigorífico da região. Se tivesse dinheiro para comprar uma moto até poderia trabalhar no frigorífico de Paiçandu, diz Daniel Evaristo da Costa, que desde quando o Nacional parou de abater só conseguiu trabalhar na colheita de milho.
Ele explica que na região só existe lavoura mecanizada e mesmo quando tem serviço a diária é muito baixa, em média R$ 8,50 por dia. Como é a única coisa que tem para fazer a gente aceita, queixa-se. Costa espera a liberação o quanto antes do FGTS e do seguro-desemprego, mas confessa que não tem nem idéia de quando o dinheiro chegará. Por enquanto, a gente está sobrevivendo porque ainda tem crédito, mas não sei até quando os mercados vão aguentar, diz.
Outro ex-funcionário do Nacional, Edegar Ribeiro da Silva, revela que já está até aposentado, mas que o frigorífico não deixou ele parar de trabalhar. Nos últimos meses, a empresa obrigava a gente a pegar vale-compras no supermercado deles em Maringá, o que já me desequlibrou. Ele reclama que os responsáveis pelo frigorífico pediram os documentos e ferramentas para fazer o acerto, mas não pagaram os direitos. A ferramenta deles vale e nossos direitos não?, questiona.
Muitos desempregados do frigorífico recorrem ao comerciante Osmar Siburtino dos Santos quando falta comida em casa. Ele tem um pequeno mercado no distrito e também trabalhava no Nacional. Só estou vendendo fiado e não sei até quando vou aguentar, diz. Santos lembra que hoje toda população de Floriano, em torno de 2,1 mil moradores, tem apenas uma indústria de vinhos como opção de emprego. Mesmo assim, só emprega cerca de 40 pessoas. O ideal é que o frigorífico seja reativado.
O comerciante Geraldo Claudinei Ferrari, que tem um mercado no centro do distrito, garante que ainda vende fiado para os desempregados que têm conta. Acredito que eles vão receber o fundo de garantia e me pagar. Ele calcula que as vendas caíram em mais de 50% com o fechamento do frigorífico.Empresa era a única fonte geradora de empregos em Floriano; falida, começou a dispensar os funcionários no início do mês
Henri JúniorO frigorífico fica a cerca de 3 quilômetros da sede do distrito e empregava 210 pessoas, pelo menos a metade mora em Floriano, que não tem outra alternativa de empregoHenri JúniorO comerciante Osmar Siburtino dos Santos trabalhava no NacionalHenri JúniorGeraldo Ferrari continua vendendo fiado para os desempregadosHenri JúniorEdegar Ribeiro trabalhou 11 anos no frigorífico e está desorientado





