Frigorífico da zona tampão do MT paralisa abates com falta de boi2/Mar, 16:39 Por Eduardo Magossi São Paulo, 02 (AE) - O Frigorífico Frigoporé, localizado na cidade de Pontes e Lacerda, único frigoríficos localizado na zona-tampão do Estado de Mato Grosso, na divisa entre Mato Grosso com a Bolívia e Rondônia, está com seus abates paralisados há 11 dias. Segundo o gerente do frigorífico, Derival Barbosa, apesar do frigorífico ter uma capacidade de abates de 900 bois por dia, não está conseguindo animais para formar suas escalas. Barbosa disse que os pecuaristas não estão querendo vender seu rebanho nos atuais preços praticados na zona tampão. "Eles preferem levar o boi clandestinamente para as zonas livres e vendê-lo a um preço maior", disse ele. Barbosa disse que este transporte de bois da zona-tampão para a zona livre geralmente é feito à noite. No momento, o preço da arroba do boi na zona-tampão é de R$ 33 ante R$ 34 na área livre do Estado do Mato Grosso. Barbosa disse que, além da dificuldade em obter boi, está tendo dificuldade em comercializar sua produção. Segundo ele, a capacidade de desossa do frigorífico é pequena, então a única saída é vender a carne com osso para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e para o Nordeste. Porém, o excesso de oferta de carne com osso para estas regiões fez com que o preço recuasse, tornando a operação menos lucrativa. "Não podemos elevar nossas ofertas de preço porque vamos ter mais prejuízos", disse Barbosa. Segundo ele, o frigorífico vai tentar abrir novamente oferta na Quarta-Feira de Cinzas para voltar a abater. Barbosa disse que, apesar do excesso de bois existente na zona-tampão, está encontrando dificuldades para abater enquanto quatro frigoríficos situados na mesma região, mas fora da zona-tampão, até aumentaram os abates. Os frigoríficos citados por Barbosa foram o Frigorara, localizado em Araputanga; Frigorífico FX, de São José dos Quatro Marcos; o Frigossafra, de Mirassol do Oeste e o Frigossol, de Cáceres. Fontes do mercado dizem, contudo, que o frigorífico decidiu parar de abater também porque está com sérios problemas financeiros. Segundo estas fontes, o frigorífico foi obrigado a abater um grande número de bois devido ao fechamento das fronteiras e comercializar um grande volume de carnes. Para isto acabou por fechar negócios com novos clientes, sendo que alguns deixaram de honrar suas dívidas.