Agência Estado
De Brasília
Os fretes rodoviários poderão ter um aumento médio de 10% a partir de novembro, quando deverá entrar em vigor uma tabela de valores mínimos a ser cobrados pelos transportadores. O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiros (UBC), Nélio Botelho, reuniu-se ontem com representantes da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, para analisar as planilhas de custos dos caminhões. O objetivo é apresentar a tabela definitiva no dia 24 de setembro.
‘‘Entre os 11 itens da pauta de reivindicações dos caminhoneiros, a tabela de frete é o ponto mais importante’’, afirmou Botelho. O objetivo dos caminhoneiros, tanto os autônomos quanto os empresários, é passar a cobrar o frete tendo como base o custo por quilômetro. Atualmente, segundo Botelho, o frete é estabelecido pelo valor ofertado por quem contrata o transporte.
De acordo com o cronograma das negociações, na próxima segunda-feira haverá outro encontro na sede paulista da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Carga (NTC). A meta é apresentar as planilhas e tabelas definitivas no dia 24 de setembro. ‘‘Serão necessários 30 dias para que a tabela entre em vigor.’’
Depois de criada a tabela, os líderes do movimento pretendem ‘‘fazê-la cumprir na prática’’. Botelho admite que estes valores mínimos de frete poderão implicar no aumento dos custos das mercadorias. O impacto, porém, pode ser menor que 10%. ‘‘Os preços dos donos das mercadorias também têm gorduras para serem queimadas’’, afirmou.
Nélio Botelho também ameaçou nova greve da categoria caso o Congresso aprove a extinção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que consta do projeto de lei de criação da Agência Nacional dos Transportes (ANT) e do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dinfra). ‘‘Precisamos de um órgão técnico para operacionalizar a conservação e os investimentos nas rodovias públicas’’, disse Botelho.
Segundo o presidente da UBC, que foi um dos líderes da greve que quase parou o País no final de julho, uma das reivindicações dos caminhoneiros era a boa conservação das estradas. ‘‘Lutamos por nossa sobrevivência e por melhores condições de trabalho’’, afirmou Botelho. ‘‘É uma questão muito séria e este é um bom motivo para parar’’, disse.
Segundo Botelho, o governo também estuda a possibilidade de promover nas rodovias federais privatizadas o mesmo acordo feito pelo governo do Estado de São Paulo com os caminhoneiros paulistas. Por este protocolo, os caminhoneiros transferem para os donos das mercadorias a responsabilidade de arcar com os custos dos pedágios. ‘‘O ministério está procurando o melhor instrumento para controlar o cumprimento de um acordo neste nível’’, afirmou Botelho.

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