Frete rodoviário pode subir 10% em novembro
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 09 (AE) - Os fretes rodoviários poderão ter um aumento médio de 10% a partir de novembro, quando deverá entrar em vigor uma tabela de valores mínimos a serem cobrados pelos transportadores. O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiros (UBC), Nélio Botelho, reuniu-se hoje com representantes da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, para analisar as planilhas de custos dos caminhões. O objetivo é apresentar a tabela definitiva no dia 24 de setembro.
"Entre os 11 itens da pauta de reivindicações dos caminhoneiros, a tabela de frete é o ponto mais importante", afirmou Botelho. O objetivo dos caminhoneiros, tanto os autônomos quanto os empresários, é passar a cobrar o frete tendo como base o custo por quilômetro. "Esta planilha irá contemplar tudo que faz parte dos gastos do caminhoneiro, espelhando a realidade", disse Botelho. Atualmente, segundo Botelho, o frete é estabelecido pelo valor ofertado por quem contrata o transporte. "Hoje é a lei de mercado, mas agora queremos tabelar mesmo." De acordo com o cronograma das negociações, na próxima segunda-feira haverá outro encontro na sede paulista da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Carga (NTC). A meta é apresentar as planilhas e tabelas definitivas no dia 24 de setembro. "Serão necessários 30 dias para que a tabela entre em vigor", disse o presidente da UBC.
Depois de criada a tabela, os líderes do movimento pretendem "fazer cumprir esta tabela de frete na prática". Botelho admite que estes valores mínimos de frete poderão implicar no aumento dos custos das mercadorias. "É claro que este aumento vai para os preços dos produtos, que também têm suas planilhas", disse. O impacto, porém, pode ser menor que 10%. "Os preços dos donos das mercadorias também têm gorduras para serem queimadas", afirmou.
DNER - Nélio Botelho também ameaçou nova greve da categoria caso o Congresso aprove a extinção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que consta do projeto de lei de criação da Agência Nacional dos Transportes (ANT) e do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dinfra). "Precisamos de um órgão técnico para operacionalizar a conservação e os investimentos nas rodovias públicas", disse Botelho. "O Dinfra jamais terá condições técnicas de substituir o DNER" Segundo o presidente da UBC, que foi um dos líderes da greve que quase parou o País no final de julho, uma das reivindicações dos caminhoneiros era a boa conservação das estradas. "Lutamos por nossa sobrevivência e por melhores condições de trabalho", afirmou Botelho. "É uma questão muito séria e este é um bom motivo para parar", disse. Segundo ele, a população precisa ser alertada sobre este problema.
Segundo Botelho, o governo também estuda a possibilidade de promover nas rodovias federais privatizadas o mesmo acordo feito pelo governo do Estado de São Paulo com os caminhoneiros paulistas. Por este protocolo, os caminhoneiros transferem para os donos das mercadorias a responsabilidade de arcar com os custos dos pedágios. "O ministério está procurando o melhor instrumento para controlar o cumprimento de um acordo neste nível", afirmou Botelho.


