São Paulo, 10 (AE) - Dos 50.782 candidatos inscritos em dois dias pelo programa de frentes de trabalho da Prefeitura de São Paulo, lançado no fim de semana, 38 são universitários. Eles enfrentaram horas na fila para disputar um salário de R$ 136,00. "Esse número mostra o drama do desemprego no município", afirma o secretário municipal de desenvolvimento econômico, Fernando Salgado. Hoje, ele se reuniu com secretários municipais para discutir a demanda de mão-de-obra de cada secretaria.
Para beneficiar-se do programa, é necessário morar há mais de dois anos em São Paulo, estar desempregado há, pelo menos, um ano e ter cursado, no máximo, até o ginásio. Por esse motivo, Salgado informou que os 38 universitários cadastrados no fim de semana estão automaticamente desclassificados. Mas a secretaria deve encaminhar os nomes dos excluídos por "excesso de capacitação" para empresas, que hoje mesmo solicitaram suas fichas. Além de trabalhar por pelo menos seis meses, os selecionados para as vagas vão participar de cursos de treinamento e capacitação profissional para diversos cargos (pedreiros, costureiros, jardineiros e até cabistas e reparadores de redes de telefonia). Além do trabalho, todos os profissionais terão, diariamente, uma hora de treinamento.
Há uma semana, Edmundo Ortega Posada, de 53 anos, mudou-se para um quarto em um cortiço, no Bom Retiro, com sua filha Nanci
de 22. Faz dez anos, trocou as dificuldades pelas quais passava na Bolívia pela esperança de emprego em São Paulo. Carteira de trabalho assinada nunca teve. Como clandestino no País, fez trabalhos temporários, a maioria como costureiro, em empresas da economia informal.
Frequentou um ano da faculdade de direito em La Paz. Orgulha-se em mostrar seus certificados de cursos de informática - atestados de que não cruzou os braços diante do desemprego. Seu empenho em estar atualizado, porém, é um entrave a suas ambições de conseguir uma vaga como varredor de rua e receber um salário mínimo.
Dinheiro que mal permitiria pagar o cômodo sem janelas, sem portas, úmido e com mofo, onde mora, ou sustentar sete filhos que vivem com sua ex-mulher, mas que seria um alento a quem define a própria situação de maneira melancólica. "Muito, muito
muito ruim está minha situação."

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