Frente pede investigação de segurança da Syngenta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Folhapress 
São Paulo- O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), coordenador da Frente Parlamentar da Terra, defendeu ontem que a Polícia Federal investigue a atuação da empresa de segurança contratada pela fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). Anteontem, duas pessoas morreram e oito ficaram feridas durante confronto entre trabalhadores rurais sem-terra e seguranças da fazenda.
A Via Campesina acusou a Syngenta de utilizar serviços de uma milícia armada, que agiria através de uma suposta empresa de fachada, a NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR). O movimento social apontou que dirigentes do MST vinham sendo ameaçados.
A fazenda foi invadida domingo por aproximadamente 200 integrantes da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante o confronto, foram mortos Valmir Mota de Oliveira, 32, conhecido como Keno, um dos principais líderes do MST na região oeste do Paraná, e o segurança Fábio Ferreira, 25.
Dr. Rosinha quer que a PF investigue a atuação e o financiamento de que chamou de ''milícias privadas no interior do Paraná''. Segundo relato do parlamentar, dezenas de seguranças da empresa NF Segurança S/C Ltda. ''atacaram'' ontem à noite cerca de 150 trabalhadores sem-terra ligados à Via Compesina e ao MST.
''O Ministério da Justiça e a Polícia Federal devem investigar com prioridade máxima a atuação desses verdadeiros grupos paramilitares instalados no Paraná. É preciso punir principalmente aqueles que os financiam, sejam eles brasileiros ou estrangeiros'', disse hoje o deputado por meio de nota.
A assessoria da Syngenta explicou que em nenhum momento a direção da multinacional autorizou o uso de força ou de arma de fogo de ''qualquer espécie'' para manter a segurança da unidade.
Segundo a assessoria, a empresa ''refuta com veemência'' qualquer declaração do MST ou da Via Campesina de que a multinacional teria dado ordem para que os seguranças disparassem contra qualquer pessoa.
Por meio da assessoria, a empresa ressaltou que está ''profundamente chocada e lamenta que seres humanos tenham sido feridos ou mortos''. ''Continuaremos colaborando com as autoridades locais para esclarecer o que de fato ocorreu na unidade'', diz a empresa.
Além de defender a investigação da empresa de segurança, Dr. Rosinha disse que a Frente Parlamentar da Terra -que segundo ele reúne cerca de 180 deputados federais favoráveis à reforma agrária- também enviou um ofício ao embaixador da Suíça no Brasil. No documento, os parlamentares solicitam uma audiência para discutir atuação da Syngenta no país.(Com Fábio Galão)


