Campinas, SP, 06 (AE) - A Frente Parlamentar pela Paz, que reúne cem deputados federais, lançará dia 18, em Campinas, no interior de São Paulo, o Projeto Ano 2000 - Ano Internacional por uma Cultura de Paz, que tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de prevenção e combate à violência.
A campanha faz parte do Programa Cultura de Paz, lançado em 1995 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
"O principal objetivo é conscientizar a sociedade e traçar algumas diretizes para a prevenção à violência", diz o deputado federal Hélio de Oliveira Santos (PDT-SP), coordenador da frente parlamentarista. Segundo ele, Campinas foi escolhida para o lançamento da campanha por apresentar os maiores índices de criminalidade entre os municípios do interior. Só este ano, segundo dados da Polícia Civil, 388 pessoas morreram na cidade, vítimas de tiroteios, latrocínios ou homicídios.
O projeto segue os princípios previstos no manifesto em apoio a uma cultura de paz, assinado em 1997 por vários países. A Unesco escolheu o período de 2001 a 2010 para ser a década internacional da cultura da paz e da não-violência para as crianças de todo o mundo. "No Brasil, nossas atividades estarão voltadas principalmente para a infância", explica Santos.
A idéia, segundo o parlamentar, é reunir os vários grupos envolvidos com projetos educacionais e de amparo à infância no País para a definir as ações mais apropriadas ao desenvolvimento de uma cultura de paz. O primeiro encontro acontecerá em Campinas, dia 18, quando representantes de diversas instituições nacionais e de outros países discutirão as causas da violência e a melhor estratégia para impedir o crescimento.
O seminário, segundo Santos, contará com a participação do sociólogo Rodrigo Guerreiro, que coordena um programa de prevenção à violência em Cali, na Colômbia, considerado o País mais violento da América Latina. Também participarão do encontro estudiosos brasileiros, como Cecília Minayo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além do representante da Unesco, Jacobo Waiselfisz. "Será um momento de reflexão e de troca de idéias"
diz o parlamentar.
Os coordenadores da campanha também pretendem realizar uma pesquisa para traçar o perfil sociocultural das crianças e adolescentes no País. O trabalho, segundo Santos, deverá começar por Campinas e, depois, ser levado para municípios de outros Estados. "Com base nesses dados, poderemos discutir com a sociedade a melhor maneira de evitar que as crianças entrem para a marginalidade", explica.
Para o deputado, o elevado índice de desemprego é a principal causa da violência no País. "Muitas famílias estão vivendo em condições sub-humanas", afirma. Ao mesmo tempo, segundo Santos, o Estado não cumpre o dever de garantir segurança ao cidadão. "O governo não previne e nem reprime a criminalidade", diz o parlamentar, acrescentando que "a violência só diminuirá quando houver um planejamento nacional voltado para a educação e o desenvolvimento socioeconômico".

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