Frente parlamentar é reativada
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sábado, 14 de novembro de 1998
Demétrio Weber 
Os reitores das universidades federais tentam, a partir da próxima semana, reativar a Frente Parlamentar das Instituições Federais de Ensino Superior. Formada por um grupo de deputados e senadores, a frente atuou informalmente durante a negociação da greve dos professores este ano e na discussão de temas como a autonomia universitária.
Na terça-feira, o presidente da Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), José Ivonildo do Rego, se reúne com parlamentares para formalizar a frente e escolher uma coordenação.
A Andifes deve levar ao Congresso documento defendendo a apresentação de emenda ao Orçamento no valor de R$ 170 milhões, reivindicada pela entidade para compensar o corte de R$ 130 milhões sofrido pelas universidades na revisão da proposta orçamentária de 99, a ser votada no Congresso, e a dívida de R$ 40 milhões referente a despesas de manutenção.
Estamos buscando recompor o orçamento para chegar ao de 1997, diz José Ivonildo. Alguma coisa terá de ser reposta, disse deputada Marisa Serrano (PSDB-MS), provável integrante da frente. Convencida de que algum sacrifício terá de ser feito pelos reitores diante do ajuste fiscal proposto pelo governo, ela defende a garantia do ensino e dos projetos de pesquisa já em andamento. Para as atividades de extensão acadêmica, Marisa Serrano propõe a adoção de parcerias com a iniciativa privada. É ponto pacífico que temos de manter as universidades, diz ela.
O deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG), com quem a Andifes entrou em contato, é cético em relação à liberação de recursos para as universidades por meio de emendas ao Orçamento. Isso porque o fato de o Congresso aprovar uma emenda não significa que o Tesouro tenha de executá-la, ficando a critério do governo a liberação dos recursos. Uma emenda aprovada no ano passado, de cerca de R$ 11 milhões, não foi executada, justifica Miranda, que deve também integrar a frente.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, decidiu não aceitar o convite dos deputados para que fosse no Congresso na quarta-feira explicar aos parlamentares o impacto dos cortes sobre o ensino na revisão da proposta orçamentária de 99. Os deputados da Comissão de Educação da Câmara estão especialmente preocupados com a situação das universidades federais e das atividades de pesquisa no País. A comissão convidou também para o debate o ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas, e o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Eles são esperados na quinta-feira.


