Frente organiza reação contra as marchas sem-terra
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Agência Folha São José do Rio Preto 
Ruralistas ligados à União Democrática Ruralista (UDR), usineiros, comerciantes e industriais lançam na próxima semana um movimento nacional para contrapor às marchas do MST. A primeira mobilização acontece segunda-feira, em Junqueirópolis (635 quilômetros a noroeste de SP). Campo Grande (MS) sedia outro ato no dia 4 de agosto. O calendário completo será definido na próxima semana. O movimento foi batizado de Frente Nacional da Produção. Reúne, além da UDR, o Movimento Nacional dos Produtores Rurais, a Frente Nacional dos Municípios Agrícolas, federações de agricultura, sindicatos rurais e associações comerciais e industriais de vários Estados. A mobilização deve culminar com uma marcha a Brasília, quando se pretende entregar ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma pauta de reivindicações do setor produtivo.
O fermento está pronto. As classes produtoras precisam se unir para sensibilizar o Congresso e o governo para a situação que estamos vivendo, disse o presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos. O ruralista afirmou que está na hora de se mobilizar para impedir que o MST galvanize setores insatisfeitos da sociedade, como os policiais. Apesar das críticas ao MST, em um ponto os discursos da UDR e dos sem-terra coincidem. O Plano Real está começando a vazar água disse Santos, fazendo coro a declaração do dirigente do MST José Rainha Júnior. O diretor-presidente da usina Vale Verde, Adhemar Brandão Fernandes, considera que o governo está brincando com a agricultura. A prova, segundo ele, é o relançamento do Proálcool sem qualquer planejamento.


