Ruralistas ligados à União Democrática Ruralista (UDR), usineiros, comerciantes e industriais lançam na próxima semana um movimento nacional para contrapor às marchas do MST. A primeira mobilização acontece segunda-feira, em Junqueirópolis (635 quilômetros a noroeste de SP). Campo Grande (MS) sedia outro ato no dia 4 de agosto. O calendário completo será definido na próxima semana. O movimento foi batizado de ‘‘Frente Nacional da Produção’’. Reúne, além da UDR, o Movimento Nacional dos Produtores Rurais, a Frente Nacional dos Municípios Agrícolas, federações de agricultura, sindicatos rurais e associações comerciais e industriais de vários Estados. A mobilização deve culminar com uma marcha a Brasília, quando se pretende entregar ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma pauta de reivindicações do setor produtivo.
‘‘O fermento está pronto. As classes produtoras precisam se unir para sensibilizar o Congresso e o governo para a situação que estamos vivendo’’, disse o presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos. O ruralista afirmou que ‘‘está na hora de se mobilizar’’ para impedir que o MST ‘‘galvanize’’ setores insatisfeitos da sociedade, como os policiais. Apesar das críticas ao MST, em um ponto os discursos da UDR e dos sem-terra coincidem. ‘‘O Plano Real está começando a vazar água disse Santos, fazendo coro a declaração do dirigente do MST José Rainha Júnior. O diretor-presidente da usina Vale Verde, Adhemar Brandão Fernandes, considera que ‘‘o governo está brincando com a agricultura’’. A prova, segundo ele, é o relançamento do Proálcool sem qualquer planejamento.

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