Brasília, 14 (AE) - Nos principais colégios eleitorais do País, a Frente Nacional das Esquerdas, integrada pelo PT, PDT
PC do B e PSB, deve dissolver-se antes das eleições municipais por causa das brigas e disputas regionais.
No Rio, as desavenças entre o presidente nacional do PDT
o ex-governador Leonel Brizola, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e o PT podem levar a um racha da coligação no Estado, formada desde a sucessões estadual e presidencial de 1998.
Enquanto o PT quer encabeçar uma aliança para a prefeitura com os pedetistas, o PDT prefere lançar candidatura própria com Brizola na disputa. Garotinho, que protagoniza uma longa história de disputas e troca de farpas com Brizola, diz que não aceita o lançamento da candidatura do dirigente pedetista e defende a candidatura da vice-governadora Benedita da Silva (PT) à sucessão do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), numa aliança com o PDT.
Ele e o PT argumentam que o apoio dos pedetistas à candidatura de Benedita faz parte de um acordo fechado em 1998, depois da coligação que sustentou a chapa do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e Brizola para a disputa presidencial, e Garotinho e Benedita para o governo do Estado do Rio. O acordo foi feito em meio a uma intervenção no PT do Rio para anular a candidatura própria do ex-deputado petista Vladimir Palmeira, de forma a garantir o apoio a Garotinho. O PC do B também lançará chapa própria no Rio encabeçada pela deputada Jandira Feghali (RJ).
Em São Paulo, o PDT prepara-se para lançar o deputado José Roberto Batochio (SP) candidato a prefeito para fazer oposição à ex-deputada Marta Suplicy e à deputada Luiza Erundina (PSB-SP). "A frente eleitoral não existe porque o PT sempre quer que o PDT funcione apenas como um ator coadjuvante", disse o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ).
Miro Teixeira explica que o partido, por uma questão de "sobrevivência política", precisa lançar candidaturas próprias na maioria das cidades do País. "O PDT vai sumir do mapa, se não fizer isso", disse o líder pedetista, explicando que as novas regras eleitorais (proibição de coligações nas eleições proporcionais e cláusula da barreira - exigência de um porcentual de votos para a representatividade no Congresso) a serem aprovadas determinarão o comportamento dos partidos nas eleições municipais desse ano. "Seria ficar na condição de náufragos que se recusam a usar o bote salva-vidas."
Segundo ele, se o PDT não lançar candidatura própria, não vai conseguir organizar a chapa de candidatos em 2002. Como argumento para romper o acordo com o PT, Miro Teixeira diz que o apoio à candidatura de Benedita não foi homologado pelos petistas.
Para o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), o partido não pode se "submeter à vontade de Brizola". "O PDT está rompendo o acordo que teve como avalista de Garotinho, e Brizola não pode querer tutelar o PT", referindo-se às últimas críticas de Brizola ao PT. O dirigente pedetista anunciou que o PDT iria se afastar do PT nas eleições desse ano, ao fazer um protesto contra o que chamou de intromissão em assuntos do partido. Segundo ele, a gota dágua foi um encontro entre o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), e Garotinho, em dezembro.
Para o governador do Acre, Jorge Viana (PT), quem está querendo privilegiar disputas pessoais provoca divisões na frente. "Parece que a esquerda não tem o hábito de fazer aquilo que prega: o espaço democrático", disse Viana. "Se os partidos de esquerda tiverem juízo, estarão unidos nas eleições municipais." Para ele, os últimos confrontos "Lula-Brizola e Brizola-Garotinho beiram a irresponsabilidade".
"Se a frente se dividir, vai ser muito ruim porque a oposição dividida vai proporcionar ao governo Fernando Henrique a possibilidade de reabilitar a aliança para a disputa presidencial de 2002", lamentou Garotinho. Segundo Viana, Lula está disposto a ser "engenheiro" na negociação do fim das brigas na frente. O líder petista vai precisar esquecer as últimas recentes críticas de Brizola. A irritação de Lula com o pedetista tem sido explícita: no último encontro nacional do PT, em Belo Horizonte, o petista recusou-se a fazer parte da mesa de abertura do congresso. O motivo foi claro: Lula não queria cumprimentar Brizola, que estava sentado à mesa.

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