Belo Horizonte, 10 (AE) - Cerca de 30 bombeiros e brigadistas do Ibama controlaram, no final da tarde de hoje, um grande incêndio que desde quarta-feira destruía a cobertura florestal do Parque Nacional da Serra do Cipó, a cerca de 90 quilômetros de Belo Horizonte. Segundo o diretor do parque, Albino Batista Gomes, o fogo, iniciado intencionalmente nas imediações do parque - colocado por criadores de gado das imediações - consumiu 4 mil hectares da reserva, de 33,8 mil hectares.
Um helicóptero da Polícia Militar de Minas, equipado com bolsa de água, auxiliou nos trabalhos de combate às chamas e a chegada de uma frente fria hoje, com muita umidade - havia previsão de chuvas à noite -, também contribuiu para o controle do incêndio.
"Felizmente, a situação está sob controle", disse Gomes. "Há ainda alguns focos, mas, segundo nossa avaliação, nada que possa se espalhar", acrescentou.
Além dos milhares de hectares de vegetação queimados e de incontáveis animais mortos, o incêndio da Serra do Cipó também destruiu uma estação meteorológica, instalada na região do Travessão e sob responsabilidade da Universidade Federal de Minas Gerais.
"O prejuízo financeiro foi de cerca de R$ 50 mil, mas o prejuízo em termos de dados científicos perdidos é incalculável", afirmou o diretor.
Queimadas - Apesar da chegada das chuvas, previstas para setembro ou meados de outubro, Albino Gomes informou que é nesta época que se inicia o "período crítico" de queimadas na Serra do Cipó.
Segundo o diretor, vaqueiros e criadores de gado sem terras, das cidades próximas ao parque, utilizam trechos da reserva como pasto para gado e ateiam fogo indiscriminadamente na vegetação. "Eles fazem queimadas dentro do parque", disse. "O maior problema é que ainda temos 120 quilômetros de perímetro sem cercas, e isso facilita a ação dessas pessoas", completou.

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