São Paulo, 11 (AE) - A saída do PT do governo de Anthony Garotinho (PDT), no Rio de Janeiro, é mais um golpe na frente de esquerdas que sustentou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 1998. Formada por cinco partidos (PT, PDT, PSB, PCB e PC do B), a frente bem que tentou se manter de pé depois da eleição presidencial, constituindo até um conselho político. Mas não deu certo. Além de deixar a administração de Garotinho, o PT abandonou o governo de Ronaldo Lessa (PSB), que ajudou a eleger em Alagoas, e vive em disputa com o PSB de São Paulo.
"O PT sai com sequelas do governo Garotinho porque sai estrebuchando", afirmou o deputado federal Milton Temer (PT-RJ)
ao lembrar que foi necessário um ultimato do governador do Rio para que seu partido tomasse a decisão. Para Temer, o PT já deveria ter devolvido há tempos os cargos que ocupa na administração fluminense. "Devia ter feito isso quando foi chamado por Garotinho de partido da boquinha, no ano passado"
observou.
O deputado disse esperar que o episódio sirva para uma "reflexão profunda", por parte da cúpula petista, sobre a política nacional de alianças. "O erro foi a forma como a direção nacional interveio no PT do Rio, em 1998, para impor o apoio à candidatura de Garotinho, que, ao fim e ao cabo, não se mostrou aliada nem mesmo do PDT", notou Temer.
Na avaliação de Valter Pomar, terceiro vice-presidente do PT, a população do Rio foi enganada com a ajuda de seu partido. "O PT foi a cereja do bolo", comparou Pomar. "Vendeu para o eleitor um Garotinho que não era verdadeiro, porque o real é o da banda podre e da manipulação." Assim como Temer, Pomar foi contra a aliança com o pedetista. Ele lembrou que, hoje, existe uma "dinâmica de disputa" entre os partidos da frente de esquerdas. "A política de alianças definida pelo PT não resiste à prova dos fatos", disse.
O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), discordou dessa análise. Na sua opinião, quem deve estar "saboreando" as desavenças entre o PT e o PDT é a coalizão de apoio ao governo federal. "Eu respeito a decisão do meu partido
mas não a aplaudo e espero que seja ocasional e localizada", afirmou Olívio. "Trabalho para que o combate à corrupção e à violência institucionalizada sirva não para separar, mas para unificar ainda mais os partidos do campo popular e o PDT tem sido parceiro inestimável nessa e em outras lutas."
A crise na frente de esquerdas pode ser contornada, no diagnóstico do deputado José Genoíno (PT-SP), depois das eleições municipais deste ano. "É normal que cada partido queira ter candidato." Quanto ao Rio, Genoíno acha que o PT ficou em situação humilhante. "A aliança foi correta, mas não deu certo", disse. E concluiu: "São coisas da vida."

mockup