Frente apóia atingidos por barragens
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Uma Frente Parlamentar vai intermediar as negociações entre o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), esferas de governo e setor privado em busca de melhores condições de indenização e relocação da população atingida pelas barragens. A situação dos atingidos por barragens foi discutida ontem em audiência pública na Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa. A sessão, presidida pela deputada Luciana Rafagnin (PT), reuniu centenas de atingidos por barragens no Paraná.
''Tem gente que foi retirada de suas terras há 25 anos, nunca recebeu indenização e ainda paga, até hoje, impostos pelas terras que estão inundadas'', diz o coordenador nacional do MAB, Hélio Mecca. Muitas famílias foram atingidas duas a três vezes por barragens. É o caso de moradores da região Centro do Estado, que vive ao largo das barragens de Salto Santiago e Salto Osório, ambas no Rio Iguaçu. Na época da construção da barragem tiveram terras alagadas e hoje estão ameaçadas novamente pelo plano de uso das margens do lago artificial.
A situação das cerca de 3 mil famílias é uma das tarefas emergenciais a serem discutidas pela Frente Parlamentar. Resolução nº 302/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) obriga a preservação de 100 metros de mata ciliar ao redor dos lagos. Ao todo, cerca de 3,2 mil famílias de oito municípios serão atingidas nessa adequação. A Frente Parlamentar deve intermediar uma solução junto à empresa Tractebel do grupo Belga/Francês SUEZ, que adquiriu todo o complexo de hidrelétricas da Eletrosul, incluindo as usinas Segredo e Salto Osório.
O prefeito de Porto Barreiro (135 km a oeste de Guarapuava), João Costa de Oliveira, é um dos atingidos pela barragem de Salto Santiago. ''Quando a usina foi construída, em 1979, era tempo de ditadura. Não houve negociação. Teve gente, como a minha família, que perdeu todos os bens debaixo da água porque nem sabiam que o alagamento seria naquele dia. Quando vimos, a água estava subindo'', lembra.


