Maputo, 16 (AE-AP) - O presidente Joaquim Chissano e seu partido governista têm uma pequena vantagem sobre seus antigos adversários de guerra nas segundas eleições presidencial e parlamentar da história de Moçambique, segundo resultados oficiais parciais divulgados hoje (16).
Contados os votos das eleições de 3 a 5 de dezembro de 10 das 11 províncias de Moçambique, Chissano tinha 54% deles, ou 1.9 milhão, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, estava com 46%, ou 1.6 milhão, na votação para presidente, segundo a Comissão Nacional Eleitoral.
Os resultados da província que falta, Nampula, que acredita-se seja um bastião da Renamo, poderiam aumentar a porcentagem de votos do partido de oposição e fazer com que a eleição seja decidida cabeça a cabeça.
Nas eleições parlamentares, na qual a Renamo encabeça uma coalizão de pequenos partidos tentando tomar a maioria da Frelimo, os governistas lideram com 42% dos votos, contra 39% dos oposicionistas.
Os resultados finais devem ser anunciados no domingo ou segunda- feira.
A Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), um ex-movimento rebelde direitista que travou uma guerra de 15 anos contra o ex- marxista governo da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), acusou hoje autoridades eleitorais de cumplicidade com a situação.
Raul Domingos, líder da Renamo no parlamento atual, disse numa entrevista coletiva em Maputo que tinha "informações confiáveis" de que o presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Jamisse Taimo, e o diretor de seu braço técnico, Antonio Carrasco do Secretariado Técnico Eleitoral, foram chamados ao Comitê Central da Frelimo para receber ordens sobre os resultados eleitorais.
Numa reunião, "o presidente Chissano disse a eles que ele tinha que vencer a eleição", acusou Domingos, que recusou-se a revelar suas fontes.
Domingos, entretanto, não rechaçou os resultados oficiais parciais.
Taimo, por seu lado, negou as alegações de Domingos e o desafiou a prová-las.
"Eu nunca estive em nenhum Comitê Central de nenhum partido", disse o chefe eleitoral. "Eles não sabem do que estão falando".
Observadores internacionais consideraram que a votação foi limpa e justa e estão também monitorando a contagem e tabulação dos votos.

mockup