Brasília, 05 (AE) - Um dos principais críticos da nomeação de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central no início do ano, o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), agora o elogia. Posições tomadas recentemente por Fraga, como a troca de papéis de curto prazo por títulos com prazos maiores que alongam a dívida, além da demissão do diretor de fiscalização, Luiz Carlos Alvarez, fizeram Freire mudar de opinião. O senador havia condenado a nomeação de um "especulador" para presidir o BC. "Tenho de admitir que Fraga está adotando medidas que denotam espírito público", disse Freire durante o Encontro Nacional do PPS, que terminou hoje em Brasília.
"O que o presidente do BC está fazendo é o que o PPS já defendia", elogia o senador, lembrando que o presidenciável Ciro Gomes também propôs o alongamento da dívida. Em relação à demissão de Alvarez, Freire disse que essa posição deveria ter sido adotada pelo presidente Fernando Henrique em relação ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, quando foi desautorizado por "seu subordinado, que criticou publicamente sua proposta de controle dos capitais voláteis".
Alianças - Ao final do encontro, o PPS divulgou um manifesto em que faz um balanço positivo dos avanços democráticos no Brasil e no mundo conquistados nesse século. "Não temos uma visão catastrofista do mundo", disse Freire. Uma das primeiras definições práticas do encontro deve ser adotada amanhã (06), quando o PPS irá procurar o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), para tentar acertar alianças municipais para as eleições de 2000. "Vamos tentar mapear o Brasil para encontrar o maior número de convergências", explicou Freire.
Em alguns Estados do Nordeste essa aliança deverá acontecer em vários municípios. É o caso da Bahia. Lá, entendimentos estão sendo feitos para as prefeituras de Salvador e Camaçari, onde o PPS deverá apoiar os deputados petistas Nelson Pelegrine e Jaques Wagner respectivamente, enquanto o PT apóia a candidatura de Colbert Martins (PPS) para a prefeitura de Feira de Santana. No Ceará, será repetida em Sobral a candidatura do prefeito Cid Gomes (PPS), irmão de Ciro, com o PT na vice. Em Pernambuco já começou o entendimento pela prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, a segunda maior cidade do Estado.
¶ncora - Outra definição do PPS durante o encontro foi a unificação do discurso do partido. Ficou acertado que Ciro Gomes terá reuniões com os outros líderes do PPS para evitar divergências públicas. Pelo menos uma vez por semana haverá uma reunião por telefone e Ciro deverá aumentar a sua frequência à Brasília. O consenso interno é que o PPS não pode "segurar" a candidatura de Ciro Gomes, que deve ultrapassar bastante os limites do partido. Mas também ficou acertado que não é bom para o político cearense se descolar da imagem do PPS. "O partido é que vai dar uma âncora ideológica a sua candidatura", explicou um integrante da direção do PPS.

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