Freira grávida forja sequestro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Agência Folha<BR>De São Paulo 
O desaparecimento da freira Luzia Benedita Postes, 38 - missionária na favela de Heliópolis (zona sul de São Paulo) que estava sumida desde 21 de maio -teve ontem um desfecho surpreendente: grávida de sete meses de um perueiro da comunidade, irmã Benedita simulou o próprio sequestro, deu à luz em um hospital público e abandonou o filho em um igreja no centro da cidade.
A freira foi encontrada na estação Itaquera do metrô por dois investigadores. Estava quase em pânico, segundo os policiais. Eles chegaram até ela após terem sido informados por outras religiosas de que Benedita havia ligado para a casa onde morava, às 18h30, dizendo que seria libertada pelos sequestradores nas proximidades da estação.
Na delegacia, Benedita tentou manter a versão do sequestro. Mas, entre os pertences da freira, os policiais encontraram um exame de gravidez em seu nome e o resultado do teste do pezinho, feito em recém-nascidos. Chorando, segundo a polícia, Benedita decidiu, então, falar a verdade. Disse que simulou o próprio sequestro para esconder a gravidez, dar a criança e se manter na vida religiosa. Antes, tentou abortar o bebê, com remédio, no terceiro mês de gestação. Não conseguiu.
Casado e pai de dois filhos, o perueiro (cuja identidade vem sendo preservada), depôs à polícia e negou que soubesse que ela era religiosa.
De acordo com o perueiro, Benedita lhe disse que era estudante universitária e que dava cursos na igreja. Na congregação a qual Benedita pertence o uso do hábito não é obrigatório.
A criança, um menino de 3,4 kg, nasceu no último dia 9 em um hospital de SP. Ele foi deixado pela freira três dias depois na igreja de Santa Cecília (região central de SP), durante uma missa.
A congregação disse que vai acolher a religiosa, com ou sem o filho, mas não deverá mantê-la como freira. Ela deve responder por abandono de incapaz. A pena para esse crime é de detenção de seis meses a três anos.


