Freira apóia concessão de cidadania a Elián
Washington, 28 (AE-AP) - Uma freira católica da Flórida escolhida como parte neutra na batalha pela custódia do garoto cubano Elián González, de seis anos, apoiou nesta sexta-feira (28) uma lei que concederia cidadania norte-americana ao menino.
Ela disse que apelaria à secretária de Justiça Janet Reno para permitir que ele continue no país.
A irmã Jeanne OLaughlin, cuja casa em Miami Beach foi utilizada esta semana para um encontro entre Elián e suas avós, apareceu acompanhada do senador Connie Mack, um republicano da Flórida favorável à concessão de cidadania, para pedir que o garoto de seis anos, sobrevivente de um naufrágio, não seja devolvido agora a seu pai em Cuba.
"Se for necessário um ato congressional para mantê-lo aqui, então que assim seja", disse ela. "A criança esteve na tormenta dos mares e agora está na tormenta das agendas políticas. De algum modo, temos de deixar o mar calmo, pelo menos por um instante", declarou.
Seu apoio à lei vem em um momento no qual a proposta parece perder respaldo no Congresso, onde as avós de Elián estiveram esta semana para pedir o retorno do neto a Cuba.
O deputado Maxine Waters, um democrata da Califórnia que apóia a causa das avós, denunciou a mudança de opinião de OLaughlin após reunir-se hoje com as avós.
"Estou desnorteado", disse Waters. "Nunca em meus piores pensamentos imaginei que uma freira, supostamente uma parte neutra, abandonaria a neutralidade."
"Não nos importamos com política. Nós nos importamos com nosso neto", disse Mariela Quintana, a avó paterna, posando ao lado de Waters.
Mack concordou que a visita das avós "afetou alguns de meus colegas", perdendo apoio potencial a seu projeto. Mas ele negou que o apoio de OLaughlin a seu projeto afetaria sua credibilidade ou tentaria fortalecê-lo em oposição à visita das avós. "Ela mudou de idéia", disse mack.
Reno apóia a determinação do Serviço de Imigração e Naturalização (INS, pela sigla em inglês) para que Elián seja enviado de volta a seu pai em Cuba.
OLaughlin, amiga de Reno, disse a jornalistas que não tentaria persuadir a secretária no que diz respeito à lei, mas apelaria a ela em termos humanos. "Às vezes vocês devem se lembrar que as leis foram feitas por homens e não os homens pelas leis."
OLaughlin disse desconhecer que a concessão de cidadania impediria Elián de voltar a Cuba quando quisesse. Mas por enquanro, diz ela, "ainda acredito que o melhor para ele é permanecer neste país".
Em Miami, o juiz de distrito William M. Hoeveler convocou uma audiência para reconsiderar as datas da batalha judicial.
Apenas um dia antes, o juiz deu aos advogados do tio-avô de Elián - temporariamente sob sua custódia - até o dia 24 de fevereiro para lutar contra os esforços do governo dos Estados Unidos para devolver o garoto a seu pai em Cuba. A agenda tornaria improvável que Eliám voltasse até o fim das audiências, na semana de 6 de março.
As avós planejam retornar a Cuba este fim de semana sem o neto.
O jornal cubano Granma, que hoje assegurou que Elián se tornou um símbolo cubano comparável a Che Guevara, atribuiu aos anticastristas as "alterações psíquicas" que as avós perceberam no menor.





