Frei não vê risco de retrocesso no Chile
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Santiago, 16 (AE) - O presidente do Chile, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, afirmou nesta quarta-feira (16) que nao vê nenhuma possibilidade de "retrocesso" na consolidacao da democracia no país a partir das manifestações de insatisfação que vêm sendo feitas pelos militares.
Nas últimas semanas, as forças armadas chilenas têm apresentado protestos contra cortes no seu orcamento, o julgamento de militares por violações de direitos humanos durante o governo Augusto Pinochet e o que eles consideram falta de interesse do governo em apressar a liberação do ex-presidente detido na Inglaterra.
"O Chile consolidou fortemente sua democracia nos últimos dez anos e as forças armadas estão plenamente incorporadas no processo de desenvolvimento do País", disse Frei. Em sua opinião, todas as instituições, inclusive as militares, estão passando por uma profunda modernizaçãoo e profissionalização.
O presidente afirmou que o corte de verbas para as forças armadas, que entre outras consequências provocou o adiamento da compra de novos equipamentos para a aeronáutica em 1998, faz parte de um "ajuste" destinado a evitar o déficit fiscal que seria "mau para o país". Quanto aos julgamentos de militares por violações de direitos humanos durante o governo Pinochet, Frei disse que este é um assunto que se resolve nos tribunais.
"Nao é responsabilidade do poder Executivo, nem sequer do Legislativo, interceder ou fazer qualquer movimento que não respeite os tribunais de justica", comentou o presidente.
Segundo ele, num "estado de direito" o mais importante é respeitar as decisões judiciais. O chefe do Executivo afirmou ainda que garantirá "total liberdade e transparência" nas eleições presidenciais de dezembro, cujo favorito é o socialista Ricardo Lago, integrante da coalizão Concertación, da qual faz parte o Partido Democrata Cristão (PDC), do próprio Frei.
De acordo com o presidente, o Chile vem fazendo um "esforço especial" desde a crise dos mercados internacionais no ano passado para também retomar o desenvolvimento e reduzir o desemprego que hoje atinge 8% a 9% da população ativa.
Ele lembrou que no ano passado foram perdidos 85 mil postos de trabalho e outras 150 mil pessoas ingressaram no mercado sem encontrar colocação num contexto de crise internacional que afetou as exportações, especialmente com a redução dos preços internacionais do cobre (que responde por 55% das vendas externas) e diminuiu em US$ 2 bilhões as receitas fiscais do país.


