Foz do Iguaçu - O Brasil poderá entrar em alguns anos em uma nova modalidade de cobrança de pedágio, sem as praças e cancelas como é o modelo atual. O sistema free-flow (sem parar) foi o principal tema de discussão do segundo dia do Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões, que acontece até 27 de outubro em Foz do Iguaçu.
Um irmão mais novo do já conhecido Sem Parar e Via Fácil, o free-flow vem com uma inovação em uso atualmente em países como Chile e Portugal: pórticos eletrônicos instalados ao longo das rodovias registrarão as passagens dos veículos por meio de um dispositivo eletrônico instalado nas placas e a cobrança viria depois, ao gosto do cliente (via conta de telefone, cartão de crédito). Especialistas participantes do congresso não arriscaram um prazo para o modelo entrar em funcionamento no Brasil, mas a maioria concorda que a novidade poderá ser adotada de Norte a Sul do País. ''É o futuro'', acredita o presidente da Associaçao Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte.
Segundo ele, o free-flow ampliaria o numero de usuários pagantes nas rodovias, pois o sistema cobriria toda a extensao da estrada e incluiria os motoristas que usam trechos da estrada e não passam pelas praças de pedágio. A vantagem para o usuário, segundo Duarte, é que a tarifa cairia porque mais pessoas pagariam pelo serviço. Além disso, o motorista pagaria pelo trecho que percorrer. O funcionamento do modelo depende da implantação no Brasil do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav), instituído por uma Resoluçao do Contran em 2006.
Na verdade, o Siniav nasceu como uma forma de combate ao furto e roubo de veículos e cargas e também como uma forma de fiscalizar o pagamento de impostos, como o Renavam. O Siniav torna obrigatório o uso de placas eletrônicas em todos os veículos automotores, elétricos, reboques e semirreboques e a implantaçao está prevista para começar em janeiro do ano que vem e terminar em 2014. Cada placa terá gravada informações como único, número da placa do veículo, chassi e código Renavam. Assim, ao passar por um posto policial ou por um pórtico de pedágio, o veículo é identificado e as suas informaçoes sáo registradas.
O diretor da ABCR-PR/SC, João Chiminazzo Neto, disse que a implantação do free-flow no Paraná depende de muitos estudos e detalhes. A taxa de redução da tarifa a partir desse novo modelo também dependeria de estudos. No Chile e em Portugal, a cobrança é feita por quilômetro percorrido. Em Portugal, por exemplo, o quilômetro custa aproximadamente oito centavos de euro.
* A jornalista viajou a Foz a convite da organização do evento

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